​Um coelhinho numa avalanche

O festival para o qual trabalho, o FEST – Novos Realizadores| Novo Cinema acontece de 19 a 26 de Junho.  Estamos naquela recta final de trabalho árduo onde todas as horas acordadas são pensadas a pensar no que falta pata termos o melhor evento possível (ver aqui).

É um festival com uma equipa pequena e que a esta hora a única forma de explicar aquilo que todos sentirmos é recorrer àquela imagem de um coelhinho branco a saltar por uma avalanche.

Ao mesmo tempo, não deixa difícil de conter a excitação de termos montado um programa como este. A minha recomendação, para quem nos for visitar, recai sobre o documentário “Sacred Water” de Olivier Jourdain. Eu não vi todo o programa final do FEST, mas fiz questão de arranjar 1 hora para ver este filme. A sinopse é a seguinte. Guiados por Vestine, uma extravagante estrela de rádio, o filme descobre a sexualidade do Ruanda enquanto busca pela água que do corpo da mulher pode jorrar no momento do orgasmo. Não, este não é um documentário sobre sexo, mas sobre a importância da ejaculação feminina na cultura popular no Ruanda.

O filme começa com uma provocação ocidental – os brancos duvidam da ejaculação feminina é real – provocando um confronto entre o espectador ocidental com a sua própria intimidade, mergulhando-o no Ruanda contemporâneo, enquanto nos revela as tradições e costumes daquele país através do prazer feminino.

Muito haverá a dizer sobre esta obra; muito particularmente gosto deste documentário que me mostra “o outro”, que tanto parece diferente de mim e que, para o bem e para o mal, é tão igual a mim.

Na semana seguinte, em Guimarães, o Shortcutz Guimarães termina esta meia temporada em grande com um SESSÃO DUPLA. Dia 29, exibição do filme “Torres e Cometas” de Gonçalo Tocha – com presença do realizador – no dia seguinte, concerto de TOCHAPESTANA no mais belo terraço da cidade – o terraço do Cineclube de Guimarães.

Depois é tempo de férias.

Todo este ano foi todo um ele uma espécie de avalanche e eu senti-me sempre como aquele coelhinho pelo meio da avalanche. Foi um meio ano cheio de desafios pessoais e profissionais. Foi um meio ano intenso, acho que é a melhor definição e, por isso, as férias são bem-vindas, acompanhado de um ansiado detox tecnológico. Só natureza e pessoas. Os écrans ficam para trás, os computadores ficam finalmente desligados e não vai haver fotos no instagram para ninguém.

A próxima metade do ano não se adivinha mais fácil e já traz muitas surpresas na manga! É preciso carregar baterias.

Até já.

Luísa Alvão, 32 anos, licenciada em Cinema, pela Universidade da Beira Interior e pós-graduada em Mediação Cultural – Estudos Comparados do Cinema e da Literatura pela Universidade do Minho. Gosta de contar histórias. Trabalha em cinema, como produtora no FEST – Festival Novos Realizadores | Novo Cinema, em Espinho, e como programadora do Shortcutz Guimarães.