​Guimarães entra agora na história do Tiro com Arco

 

2017 é o ano que marca a entrada da Cidade Berço na história do tiro com arco, uma prática desportiva que não tem tradição em Portugal, mas em Guimarães cria-se o Clube desta técnica de guerrear e “conquista-se” a realização da final do campeonato nacional que reúne os melhores arqueiros do país. Uma “batalha” vencida, numa “guerra”, estrategicamente, montada para impulsionar a modalidade na região. Praticantes e simpatizantes procuram-se.

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Era uma vez um jovem que, há quatro anos, se rendeu ao primeiro contacto que teve com esta modalidade enquanto gozava a prenda oferecida pela esposa por ocasião do aniversário. “Comecei o dia a saltar de paraquedas e terminei com tiro com arco. Curiosamente é a experiência que mais e melhor recordo. A satisfação que senti quando dei o primeiro tiro impulsionou-me a afiliar no Clube do Porto e começar a praticar regularmente”.

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A partir daí, Gabriel Soares foi “aliciado” a participar nas provas do campeonato nacional e graças a muito treino e dedicação no Monte Aventino, local onde o Clube de Tiro com Arco do Porto baseia a escola, foi arrecadando algumas vitórias importantes: “Fechei a minha primeira participação com um lugar de honra. Juntamente com os meus colegas de equipa José Magalhães e Eduardo Almeida trouxemos o título de vice-campeões por equipas seniores para o Porto”. E nos anos seguintes o arqueiro participou nos campeonatos de campo e sala da Federação Portuguesa de Tiro com Arco (FPTA) e voltou a subir ao pódio com os mesmos companheiros.

A descansar deste espírito competitivo, Gabriel Soares propôs-se agora a apostar no crescimento da modalidade no Minho e a conseguir atrair praticantes para o organismo que decidiu criar: o Clube de Tiro com Arco de Guimarães (CTAG). “Nem Guimarães, nem Portugal tem tradição de tiro com arco. No entanto, é uma modalidade em franco crescimento em todo o mundo. É o que esperamos em Portugal, e mais em particular na nossa cidade”, acredita.

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Enquanto técnica de guerrear, foi largamente adotada pelos ingleses e enquanto modalidade desportiva, o tiro com arco tem vindo a ser dominada pelos sul coreanos.

 

O desejo é que, ao escrever a história do Tiro com Arco em Guimarães, consiga que o clube reúna condições para atrair praticantes e formandos que possam proporcionar “várias alegrias e vitórias num futuro próximo”. “A criação de uma estrutura em Guimarães é importante para a consolidação da imagem polidesportiva do nosso município e é fundamental para o crescimento da modalidade a nível nacional”, acrescenta Gabriel Soares. “Não temos muitos praticantes ou associações no norte e o aparecimento de um clube na Cidade Berço vai certamente impulsionar a propagação pela região”, completa o arqueiro.

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A ocasião exige força, tranquilidade, flexibilidade, tal como o instante em que se está, frente a frente, com o alvo e, em jeito de estímulo à “boa pontaria” e a um “tiro” perfeito, a FPTA “disparou” a realização da Final Round do Campeonato Nacional de Tiro com Arco Campo 2016-2017 para Guimarães. É no domingo, 16 de julho, que a Pista Gémeos Castro, na Cidade Desportiva recebe a prova “em que todos os arqueiros ambicionam estar presentes mas apenas os melhores têm ingresso”. “No campeonato nacional, disputamos dez provas por uma boa qualificação geral. No final, apuram-se os quatro melhores classificados para disputar o título de campeão nacional. No dia 16, Guimarães irá coroá-los nas diferentes categorias. É esse o espetáculo que os espetadores e simpatizantes podem contar: uma prova disputada pelos melhores arqueiros nacionais e a atribuição do prémio final”, salienta Gabriel Soares ao Duas Caras.

Para trás fica a participação na Feira Afonsina. “Exaustiva mas gratificante. A adesão dos visitantes foi ampla e sentimos um caloroso acolhimento da modalidade e do clube por parte dos vimaranenses”, sublinha.

“O tiro com arco é o uso de um arco para fazer uma flecha atingir o alvo. É uma prática auto explicativa e julgo que não haverá ninguém que não tenha uma boa ideia do que se trata. Desde os graúdos que brincaram certamente com arcos improvisados e paus e elásticos, até aos mais pequenos que, se não for mais, viram a Catniss Everdeen vencer os Jogos da Fome [The Hunger Games] com um domínio da técnica”. Gabriel Soares

Para a frente, o caminho que a equipa do CTAG pretende trilhar vai ao encontro da participação de arqueiros de lazer e da aposta na formação de arqueiros que possam mais tarde entrar em competições. “O nosso objetivo é massificar a prática desta modalidade, quer a nível de lazer como de academia e competição. Estamos a trabalhar junto das instituições de ATL [atividades de tempos livres] e a promover parcerias com instituições do município para que alunos com necessidades educativas especiais ou economicamente carenciados não sejam excluídos”, anuncia.

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Texto: Sofia Pires
Fotos: Direitos Reservados