​”Numa cidade que quer ser Capital Verde…”

Desde que Guimarães assumiu o desígnio de se candidatar a Capital Verde Europeia e, bem mais importante do que isso, estabelecer um plano para que a Sustentabilidade Ambiental seja uma prioridade do presente e futuro da cidade, que esta intenção se tornou início de formulação de qualquer frase sobre um sem número de matérias, como arma de arremesso.
Desde a mais grave descarga poluente num rio, ao saco do lixo colocado na berma de uma estrada até à poda de uma árvore, quase sempre há origem a um exclamativo “Numa cidade que quer ser Capital Verde…”.

Uma prática cada vez mais comum que tenta inquinar qualquer debate colocando em causa a bondade e genuinidade das intenções de Guimarães ser uma Cidade ambientalmente mais sustentável e, em 2021 ou mais tarde, ser Capital Verde Europeia.

O uso desta expressão encerra em si mesmo dois grandes problemas.

O primeiro é a diminuição do processo de candidatura a situações pontuais e, outras vezes a minudências. A candidatura assenta em 12 áreas indicadores que vão desde o Transporte Local até à Gestão Ambiental Integrada. Preocupa-se com mitigação de alterações climáticas e com qualidade do ambiente acústico. E, já agora, em muitas destas áreas os dados incluídos na candidatura e apresentados em Assembleia Municipal, são de facto muito animadores para Guimarães.

Mesmo quando não são, o trabalho efetuado não se encerra apenas nos dados recolhidos e na realidade atual, mas faz uma análise factual da realidade vimaranense, estabelecendo metas e definindo limites temporais para a implementação de medidas que mitiguem as questões identificadas.

O segundo é a perversidade para com o próprio caminho que já está a ser trilhado. Há passos significativos dados e, quando comparamos com a cidade que tínhamos há 15 ou 20 anos, não temos dúvidas que Guimarães é hoje “mais verde”!

Só que há algo que não se define por decreto, nem se legisla. Os comportamentos, o civismo, a atitude perante o ambiente e a responsabilidade de cada um. Se é certo que em muitos casos, os quadros legais permitem a correção de atitudes, isto não é verdade para um sem fim de situações que dão origem ao “numa cidade que quer ser Capital Verde…” que tanto me incomoda.

Neste ponto, nada é mais prioritário do que começar a mudar mentalidades através da educação ambiental, especialmente nos públicos mais jovens. A prioridade de Domingos Bragança de ter em cada vimaranense um Ecocidadão, pode parecer à primeira um conceito vago, mas a cada “numa cidade que quer ser Capital Verde…” que ouço, mais me convenço que é nessa prioridade que reside o sucesso do futuro ambientalmente sustentável da nossa cidade.

Em dia de aniversário, uma última nota para o Duas Caras. Um projeto que tem vindo a afirmar-se como uma voz alternativa, independente e credível. É bom para Guimarães que a Catarina Castro Abreu tenha tido o arrojo de lançar este projeto. O recente acompanhamento das Autárquicas é um sinal claro do registo de qualidade deste espaço.

É um grande prazer escrever aqui. O meu desejo é que esta tenha sido o primeiro de muitos anos de sucesso.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.