​1, 2, 3, 4, 5 ingredientes de Jazz

O artigo desta semana começa com uma adulteração abusiva do genérico do mais famoso programa de Jazz da rádio portuguesa, para vos falar não de cinco minutos, mas de cinco ingredientes que o Guimarães Jazz transporta em si, daquilo que é a cultura vimaranense.

Começa hoje a 26ª edição do melhor festival de jazz do País. Durante uma semana e meia, Guimarães enche-se de um dos mais irreverentes estilos musicais, tendo epicentro no Centro Cultural de Vila Flor.

Este é um evento que mostra um conjunto de marcas fortes da cultura vimaranense. São 5 ingredientes que compõem o prato da cultura vimaranense. O primeiro deles, a capacidade de Guimarães organizar um evento de escala europeia. Para lá disso, a capacidade de se abrir à cidade, para lá do espaço do Grande Auditório de Vila Flor.

O festival não se fica pela sala, e tem passagem por vários pontos da cidade. Ora em Jam Sessions, ora em animação musical na rua, ora em Oficinas de Jazz. No fundo, um festival de referência nacional e repercussão internacional, espalha-se pela cidade, criando envolvimento em torno de um (já) ícone vimaranense.

O terceiro ingrediente é a dimensão da capacitação e das residências. Do programa, constam também oficinas de Jazz com artistas internacionais que, durante duas semanas, permanecem em residência na nossa cidade, partilhando o seu conhecimento e experiência com os inscritos para estas sessões.

Outro dos ingredientes, e este talvez o mais importante para o que fica para a cidade, a forte ligação ao mundo associativo que a organização do evento nela transporta. Paralelamente aos Festivais de Gil Vicente, com o CAR, e ao Cinema em Noites de Verão, com o Cineclube, este é um trabalho de parceria que se estende há já várias de décadas, neste caso com o Convívio, e que permite a potenciação de eventos, a vitalidade e a capacitação das associações locais.

Por fim, a programação do próprio festival. A noite de abertura do Guimarães Jazz, hoje à noite, é protagonizada por Nels Cline e a Orquestra de Guimarães. Um trabalho de fusão entre um guitarrista norte-americano com uma vasta carreira, e uma aposta continuada e resultante da Capital Europeia da Cultura, como é a Orquestra de Guimarães.

Os ingredientes são estes, o prato é aquele que conhecemos. Uma conjugação de um espetáculo de referência nacional e internacional, aberto à cidade e extravasado para lá do seu epicentro, um programa completo que inclui oficinas para capacitação de músicos locais, uma parceria com associações de referência do panorama vimaranense e a fusão de artistas internacionais com apostas locais.

O Guimarães Jazz é, indiscutivelmente, uma marca de Guimarães, com uma organização totalmente coerente com aquilo que é a cultura vimaranense. Uma marca que leva Guimarães às bocas do mundo, e deixa marca na nossa cidade.

São cinco ingredientes, que começam (novamente) a ser servidos hoje.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.