Euronext não explica como definiu indemnização de Cristina Azevedo

As alegações finais do processo que opõe a ex-presidente da Fundação Cidade de Guimarães (FCG) e a comissão liquidatária da FCG estavam marcadas para hoje, 16. Só que a Euronext Lisbon não prestou esclarecimentos sobre o cálculo da indemnização de mais de 218 mil euros que pagou a Cristina Azevedo pelo seu despedimento. Recorde-se que a consultora financeira era quadro desta empresa antes de assumir funções da CCDR-N e, posteriormente, na FCG.

A comissão liquidatária Fundação Cidade de Guimarães (composta pela Câmara Municipal, Direção Geral do Tesouro e o Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliações Culturais) e o Tribunal de Guimarães, que está a julgar o caso, querem saber como é que a Euronext Lisbon calculou a indemnização, no valor de 218.274 euros, paga em 2011 a Cristina Azevedo. A ex-presidente da Fundação Cidade de Guimarães era quadro daquela instituição antes de ser cedida em 2000 à Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Norte e, mais tarde, em 2009, à FCG.

Quando cessou funções como presidente da Fundação, em julho de 2011, Cristina Azevedo quis voltar à sua entidade patronal original mas foi informada que o seu cargo tinha sido extinto. Nessa altura foi indemnizada mas a Euronext não revela em que pressupostos foi calculado o montante pago.

Depois de questionada pelo Tribunal, a Euronext continua vaga na resposta e disse que “não dispõe de elementos documentais que possibilitem uma resposta mais detalhada”. A juíza criticou a postura da instituição dizendo que era “inaceitável” que uma empresa “com este nível de organização” não dispusesse de dados objetivos para o cálculo da indemnização. Por isso, deu dez dias úteis para a Euronext responder ao Tribunal sobre o assunto.

Por esta razão, as alegações finais foram adiadas para o próximo dia 16 de dezembro.

Recorde-se que neste processo Cristina Azevedo reclama mais de 400 mil euros em salários entre 2011, quando foi afastada do cargo, e 2015, ano em que o seu mandato à frente da FCG terminaria.

Texto: Catarina Castro Abreu
Foto: Duas Caras