O resultado das eleições nos EUA e suas consequências

No passado dia 9 de novembro de 2016, o mundo acordou sobressaltado com o resultado das eleições nos EUA.

Ao contrário das sondagens, que ultimamente vão criando cenários que posteriormente não se confirmam, o candidato indesejado por um grande número de países ocidentais, foi o vencedor das eleições na, ainda, maior potência mundial.

Donald Trump, racista, misógino, sexista, provocador nato, vence a Sra. Clinton e assusta o mundo, particularmente a Europa. Esta, sem liderança, a passar por um período de quase anarquia, pretensamente democrática, assiste, impotente, por culpa própria, ao emergir, no seu seio, de líderes que cultivam modelos da sociedade similares aos propagandeados até à exaustão durante a campanha vencedora do outro lado do Atlântico.

A dimensão política do projeto Trump incentiva potenciais seguidores que vão fazendo entre nós o seu caminho, assente num populismo que uma Europa democrática organizada poderia e deveria combater.

A teia burocrática em que os líderes europeus assumiram enredar-se, com resultados onde tudo pesa menos a solidariedade entre os povos, atinge milhões de deserdados da sorte. Estes, à falta de quem possa tratar de si como cidadãos e dos seus mais prementes problemas, entregam-se facilmente às mãos do radicalismo extremista que “aceitam” como única tábua de salvação.

A conduta de alguns líderes da velha Europa e outros ocidentais, relativamente ao que se tem passado nos países do Norte de África a no Médio Oriente, revela, ou um grande desconhecimento (no seu sentido lato) quanto ao modelo organizacional daqueles povos, ou assenta na “gula“ de um domínio geoestratégico da região que tem outros fins, perversos, digo eu, como objetivo final.

A desgraça a que hoje se assiste, por diariamente repetida, parece já não tocar a sensibilidade daqueles que estão na origem de tão grande tragédia e sofrimento. A União Europeia não tem estado à altura das suas responsabilidades e, não as assumindo até agora, pior ficará face aos maus exemplos de conduta política que subitamente surgirão do outro lado do Atlântico.

A globalização, hoje, exige que nós estejamos atentos, não apenas ao que se passa no nosso território de proximidade, no país, na União Europeia a que ainda pertencemos, mas sobretudo a quaisquer sinais tão influenciadores do nosso quotidiano e também à magnitude dos mesmos, venham eles de onde vierem.

Oxalá me engane, mas face às políticas de Trump, que podem por em causa a atual ordem mundial, já de si problemática, dias difíceis nos esperam.

 

António Magalhães, 72 anos, é presidente, desde 2013, da Assembleia Municipal de Guimarães. Anteriormente, liderou a Câmara Municipal de Guimarães entre 1990 e 2013, sempre eleito pelas listas do PS, e foi ainda deputado à Assembleia da República entre 1976 e 1987, pelo mesmo partido. Atualmente, é também membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA).