Miró não vem para a Plataforma das Artes e o apoio para 2017 é “extraordinário”

Está descartada a hipótese de alguns dos quadros de Joan Miró, que estão hoje na Fundação Serralves, virem para a Plataforma das Artes. A medida tinha sido sugerida pelos deputados socialistas na Assembleia da República, Sónia Fertuzinhos e Luís Soares, e pela Coligação Juntos por Guimarães. Entretanto, ao presidente da Câmara, o ministro da Cultura garantiu um “apoio extraordinário para 2017”.

Descartando a hipótese de trazer alguns dos quadros de Miró para Guimarães, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, deu conta de que dispunha “um acervo de pintura muito importante para ser exposto em Guimarães”, disse Domingos Bragança quando questionado no final da última reunião de Câmara, 11. “Falamos de [coleção] Miró mas não ficou nada definido. É um assunto que pode ser trabalhado mas que para já não pode ter solução”, avançou o autarca.

Essa foi a ocasião para anunciar “um apoio extraordinário” para a Plataforma no ano de 2017. “O senhor ministro mostrou-se interessado em trabalhar num apoio regular e quer que seja para este ano e para os seguintes, independentemente do governo que esteja [no poder]”, realçou Domingos Bragança. Deverá ser o Fundo de Fomento Cultural a financiar o equipamento. Pelo menos foi isso que Luís Filipe Castro Mendes respondeu a Sónia Fertuzinhos.

No âmbito do debate na especialidade do Orçamento de Estado para 2017, Sónia Fertuzinhos, eleita pelo PS no Círculo de Braga, questionou o ministro da Cultura sobre o trabalho que tem sido desenvolvido pelo Governo para apoiar a Plataforma das Artes e da Criatividade. À deputada, confirmou o trabalho constante com a Câmara Municipal sobre a Plataforma das Artes e outros equipamentos culturais de Guimarães, reconhecendo que têm sido “bem geridos e liderados por pessoas muito qualificadas e competentes”.

Na resposta, Luís Filipe Castro Mendes sublinhou o que já tinha dito ao presidente da Câmara, respondendo que “durante o próximo ano, será possível apoiar a Plataforma das Artes e da Criatividade através do Fundo de Fomento Cultural, um apoio concreto, sustentável, a projetos de exposições e espetáculos”, que, “Guimarães será capaz de apresentar”.

O problema do financiamento da Plataforma das Artes vem desde 2012 mas foi mais mediatizado em fevereiro deste ano quando a ex-secretária de Estado da Cultura, Isabel Botelho Leal, disse, durante uma visita a Guimarães, que os equipamentos que ficaram das Capitais Europeias da Cultura (CEC) em Lisboa, Porto e Guimarães eram “incomparáveis”. Daí a discriminação no Orçamento de Estado para 2016: o Centro Cultural de Belém (Lisboa) recebeu 19 milhões de euros, a Casa da Música (Porto) tem cabimentados sete milhões e Guimarães tem direito a zero.

Entretanto a Câmara Municipal de Guimarães manteve vários encontros com responsáveis governamentais para diligenciar o processo de financiamento da PAC. Os deputados do PS, Luís Soares e Sónia Fertuzinhos, defenderam, no início de outubro, a inclusão da PAC num roteiro da arte contemporânea que incluísse parte da coleção Joan Miró. A Coligação Juntos por Guimarães propôs o mesmo. Sabe-se agora que a ideia não passa pela estratégia do Ministério da Cultura para a Plataforma.

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