Comemoraram-se, por estes dias, os 15 anos da entrada em funcionamento do pavilhão Multiusos de Guimarães, que é hoje um espaço de referência em termos nacionais e internacionais no que a grandes eventos concerne.
Tornou-se comum, ao longo deste período, ver-se por lá passarem os nomes maiores da música portuguesa e muitos dos grandes nomes estrangeiros que vêm actuar a Portugal e que têm em Guimarães ponto de passagem.
Na publicidade televisiva a esses grandes concertos é habitual constatar-se que esses artistas têm na Meo Arena de Lisboa e no Multiusos de Guimarães, provavelmente, as duas maiores salas de espectáculos do país, os locais que privilegiam em termos de realização dos espectáculos.
Recordo-me bem da polémica que rodeou a opção pela construção desse espaço.
Que a Câmara liderada por António Magalhães entendia, e bem, que seria um espaço de referência mas que merecia enormes dúvidas por parte da oposição, que a considerava dispendiosa, de previsível escassa utilização, um autêntico “elefante branco”.
Ao tempo, e sendo deputado na Assembleia da República, entendi só me pronunciar depois de recolher o máximo de informação. Para isso fiz uma visita às obras, acompanhado pelo Amadeu Portilha, na altura responsável máximo da “Tempo Livre”, finda a qual afirmei à comunicação social que o Multiusos era uma obra importante para Guimarães e que a Câmara tinha feito bem em o construir.
Sei que no meu partido houve quem não gostasse nada mas sempre entendi que na vida pública temos de ser justos no elogio para sermos credíveis na crítica.
E a opção pelo Multiusos era merecedora de elogio, como estes quinze anos se encarregaram abundantemente de comprovar.
E por isso com o mesmo à vontade com que elogiei “ontem” o Multiusos critico “hoje” o que se passa em volta de alguns edifícios que “sobraram” da CEC 2012 e aos quais a Câmara não sabe positivamente o que fazer em termos de rentabilização.
É a “Plataforma das Artes” com o seu custo astronómico de funcionamento e sem que se perceba que alternativas tem o município que não seja uma mão estendida ao governo, que assobia para o ar porque Guimarães não é Porto e muito menos Lisboa.
É a “Casa da Memória”, que voga ao sabor do que se vai arranjando para lá meter mas sem que se vislumbre uma estratégia de médio/longo prazo.
E é, acima de tudo, o edifício comprado na Rua da Rainha para uma suposta “Residência dos Artistas”, que custou centenas de milhares de euros e está há quatro anos vazio sem nenhuma perspectiva de curto prazo para uma utilização, seja ela qual for.
Pena que a visão estratégica que levou no passado ao Multiusos não tenha correspondência no presente quanto a estes equipamentos que todos pagamos.
Esperemos que o futuro nos traga quem ,com visão e estratégia, resolva estes problemas porque os responsáveis do presente já demonstraram serem incapazes de o fazer.
