Inspeção-geral vai investigar alegada negligência no Hospital Senhora da Oliveira

O Ministério da Saúde respondeu a um caso, levado ao Parlamento pelo Bloco de Esquerda, de uma mulher de 72 anos que teve uma rutura de um aneurisma depois de aguardar oito horas na urgência do Hospital Senhora da Oliveira para fazer os primeiros exames. O HSO e a Inspeção das Atividades em Saúde (IGAS) já abriram inquéritos.

Recorde-se que a 10 de março deste ano, uma mulher com 72 anos deu entrada no Hospital da Senhora da Oliveira. Residente em Moreira de Cónegos, a paciente tem uma história clínica com registo de acidente vascular cerebral (AVC), tumor e diabetes. Na companhia da sua filha, foi levada ao hospital pelos bombeiros, uma vez que não conseguia andar, tinha dor de cabeça e arrastava a fala. Deu entrada nas Urgências por volta das 10h00, tendo sido triada com uma pulseira verde, ou seja, o caso foi triado como pouco urgente devendo ser visto no período de duas horas.

A paciente só viria a fazer os primeiros exames cerca das 19h00. A estas análises seguiram-se uma TAC e um raio-x. Às 21h00, a filha apercebeu-se de que a mãe não reagia e não falava. A mulher teve um aneurisma que rompeu. Perante este quadro, os serviços hospitalares deram ordem de transferência para o Hospital de Braga, uma vez que não existe neurocirurgia em Guimarães. CJCS foi intervencionada e encontra-se atualmente com prognóstico reservado, no Hospital de Braga.

Segundo o Ministério da Saúde, foram consultadas a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e a Administração Regional de Saúde do Norte, I.P. (ARSN, IP). A Inspeção das Atividades em Saúde (IGAS) abriu ainda um processo de esclarecimento com recolha de informação sobre o caso.

Para o bloquista Pedro Soares, este saco pode estar ligado aos “problemas que repetidamente têm ocorrido no serviço de urgência do Hospital de Guimarães”. “ Os tempos de espera são demasiadamente longos, ultrapassam os tempos protocolados, as condições de espera que desafiam a qualidade de atendimento exigível ao Serviço Nacional de Saúde”, notou.

Morte de homem de 52 anos também está sob inquérito

O Bloco de Esquerda questionou o Governo, através do Ministério da Saúde, sobre o caso de um homem, residente em Guardizela, que morreu duas horas depois de ter recebido alta no Hospital da Senhora da Oliveira. No passado dia 19, o homem foi encontrado deitado na via pública com ferimentos na cabeça e nos braços. Depois de ser assistido no Hospital da Senhora da Oliveira, o homem teve alta. Duas horas depois e já em casa, o homem sentiu-se mal e faleceu.

O homem foi vítima de atropelamento: quatro dias apos o seu falecimento um jovem apresentou-se no posto da GNR de Lordelo assumindo a responsabilidade do acidente.

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