Pregão de S. Nicolau da Academia Vimaranense

Recitado aos 5 de Dezembro de 2016 pelo Estudante Tiago Oliveira (12.º ano Esc. Secundária Martins Sarmento)

Este texto é dedicado ao Saudoso e inesquecível Francisco da Cunha Oliveira Ribeiro, Segundo Vogal de Festas da Comissão de Festas Nicolinas de 1975, Tesoureiro da Comissão de Festas Nicolinas de 1976, Tesoureiro e Pregoeiro da Comissão de Festas Nicolinas de 1977;

Dedicado pelo pregoeiro a: Comissão de Festas Nicolinas Vigente.

Mundo: dá-me silêncio, só neste dia,
Escuta meu canto da Verdade;
Caixas e bombos: mostrastes harmonia
aclamando as Festas da Mocidade;
Mas, agora, Fale-se desta Academia,
da Vida (que é Vida) e da Saudade;
Escutai bem quem daqui do Alto vos fala:
Toda a palavra será tiro de bala.

(Portanto…)

Caluda, populacho…Hoje falo eu,
E ai de quem perguntar de onde venho;
Da Tradição sou a voz (que o Tempo me deu);
Nada me escapará (nunca me contenho):
Da corrupção, à maldade que mais doeu,
falarei com “Mor Nicolino” empenho;
E direi, sem qualquer tipo de mordaça,
o que de mais podre “habita” esta Praça.

Começa aqui, à hora, a “peixeirada”,
mas com nobreza, e elevação;
Não quero (Oh não) qualquer “borrada”,
nem “frase feita”, nem sequer “chavão”;
De “cliché” e “lugar comum”, nada,
que a palavra merece atenção:
Escutai, com esmero, a ladainha,
a minha história da Carochinha.

Ó Terra da Força e da Bravura,
Ó Chão do mais fero combatente:
quero ter voz que se ouça (em altura),
no passado, no futuro: no Presente!
E mesmo que haja (por aí) brandura,
(ela) não extinguirá este amor ardente;
Quem por cá nasce (vive e morre)
Sabe o sangue que pelas veias lhe corre.

Solo orgulhoso de pedra antiga
onde começou a caminhar Portugal:
Tuas praças e muros são dura viga
do fervor da Aurora Nacional;
Teu rosto, Tua face amiga,
são, deste Lugar, o brilho especial;
Lembrai-vos: É esta a Terra da Nação
que nunca renderá seu coração!

(Em Guimarães, a gente é de garra:
Não se “vende” ao “barulho” da “fanfarra”)

*****

Velha Guimarães, quero atitude
de milenar glória incontida,
mas, lembra-te: és feita de juventude;
(nunca “morta”, jamais “esquecida”;)
É qual a Tua grande virtude:
recordar a Festa, ou dela seres a vida?
Quando, um dia, eu tiver de chegar ao fim,
que o ser Estudante seja lembrado assim.

(E porque o “discurso” se quer todo,
Passemos, pois então, à parte do lôdo;)

O trânsito soluçando (que barafunda!)
por entre obras…não: “estaleiros”!
Nosso chafariz já serve de rotunda;
(os novos semáforos serão candeeiros?)
Continuando assim, ficarei corcunda,
olhando o chão (para não cair aos “bueiros”);
Poderíamos optar pelo barco,
se o Rio de Couros não fosse um charco…

(e a Polícia (não) encheria o papo
autuando o sardão, a rã e o sapo…

Ó Cidade, esteve (muito) calor,
neste Verão do nosso (des)contentamento;
aquele ar-condicionado de grande valor
é que nos teria dado bom alento;
mas esteve desligado (fazei clamor!)
passará, certamente, a “monumento”;
(E livrou-nos o Santo de miséria
ao despachar o “cheiro” a EcoIbéria);

(Só ficou o do churro e o da fartura,
junto ao poiso da Árvore “dura”)

As Gualterianas foram para a Costa
(é, bem o sabeis, ideia peregrina)
e, se procurardes por uma resposta,
(ela) surgir-vos-á, quase repentina:
A Festa da Cidade, agora proposta,
é aquela feira…a Afonsina;
mas “Afonso Henriques”, em Guimarães,
só há o (Zé Maria) Magalhães.

(Mais cinco anos e estarão no Pio Nono;
e pronto: muda-se-lhes o Patrono)


E a Torre da Alfândega, como vai ser?
Aquele I.M.I, quem é que o vai pagar?
Deve ser barato (até deve doer),
com (toda) aquela vista de encantar…
(Vê-se o Sol à espera de nascer
e a Lua com vontade de reinar;)
Estudantada, ouve minha opinião:
seria uma boa sede para a Comissão.

(Ó Câmara, e uma definitiva?
Uma que não seja “primitiva”…)

Porque se fosse para a “UÉME”,
Ui, era certinho, ‘piava logo fino’;
(medalha da Cidade para ‘o do leme’
e para o outro que se acha ‘divino’)
Se uma é o ‘leite’, a outra é o ‘creme’,
Amor meloso (e ‘marroquino’);
Um dia, virá sentença pouco “cara”:
Traje “tricórnio” em Santa Clara.

(Fita verde, ou a fugir para o vermelho;
ou castanha, da côr do Ave…ou do Selho)

E o (Rio) Vizela, que tonalidade,
que espanto de odor e de “limpeza”;
Houvesse no mundo resto de “dignidade”,
e, ganharia, com toda a certeza,
o campeonato da salubridade,
com confortável margem de justeza;
Prometa-se já, de forma incisiva:
Vizela, Capital Verde…radioactiva!

(O curioso nesta “barracada”
é ser Guimarães a verdadeira piada)

Houve eleição Presidencial no País
do “sôdoutor” e do “s’ingenheiro”;
(não há licenciaturas de raiz:
só a troco de (muito) dinheiro;)
O “Sê Professor” fez o que bem quis;
(a “lente” da TVI preparou-lhe o poleiro)
E ninguém mais soube do Nóvoa…
(deve estar de férias na Póvoa)

Tenho de ter (mesmo!) muito cuidado,
agora (que) o piropo é crime;
Há confusão à farta (por todo o lado):
cursos, escolas e “rankings” (sem “regime”);
É o público contra o privado;
(ou o pouco e o nada sublime)
Agora que a média não é a mais alta,
será Medicina a “vocação” da malta?

(Para quem de Nós desdenha – “Liceu e “Xico”
– escolhei entre um pote e um penico.)

Neste ano de desgosto incontido
e de alguma revolta (são quase iguais),
Foi, na Ilha, o incêndio desmedido,
ceifando a esperança aos demais;
Foi como nos Estados do País (des)unido;
(com aquelas eleições presidenciais)
É Direita, é Esquerda: a malta manda…
mas continua igual o som da banda.

(E o Dias fez um “brexit” à Palito;
Sabes, Polícia, mereces um “manguito”!)

* * * * *

Ó Vitória, mas que grande pujança,
que grande poder de concretização;
Esta época, estás a encher a pança,
Queres lutar pelo hino de campeão
que em Basileia se ouviu? (ai, lembrança,
tira-me da cabeça aquele ladrão!)
Isto promete, assim até dá gosto,
Futebol com novíssimo rosto!

(Põe aqui os olhinhos, Ó Conceição:
Trabalho, talento e dedicação.)

E os adeptos? Que enorme campanha,
já triunfam (e de goleada!);
É enorme a sua façanha,
nada se lhes compara: mesmo nada!
Aviso: Marega, cuidado com a manha,
ou levas uma valente bengalada.
(que a espada está de convalescença
desde que o outro lhe fez sentença)

(Há-de ficar boa para, mais uma vez,
aquecer o rabo – como fez o Éder – ao francês!)

Visto – à Portuguesa – com Amor,
Armadura do Corpo e da Mente;
(como usava Afonso, “O Conquistador”,
para dos perigos ser repelente;)
Assim é o Nicolino o curador
de um Traje companheiro (e presente)
que lhe cobre a Carne e a Alma;
(em tempo de guerra e em tempo de calma).

(O que eu gostava que fosse…)

Mesmo sem a falta de romaria,
um pouco por todo o (nosso) Portugal,
Vens infiltrado, senhor da tropelia;
(feio, sujo…e a cheirar bem mal!)
Nem penses que escapas à água fria,
à sentença do banho no Toural;
Foge, Futrica, foge enquanto podes,
Bendito o dia em que te afogues.

(Mas a dura realidade é esta)

No reino futrica é grave a crise,
agora, toda a gente estuda;
Lá se foram os rivais; Ó Banda dos Guise:
é como tocar para gente surda (e muda);
Já não há banho; Sim, há quem pise,
mas não há quem pisar; Quero ajuda!
Teremos de encontrar novo rival
para dar uso ao Chafariz do Toural.

(é certo que andaram lá uns de “collants”…
uns…ou umas? Nem sei…noviços…ou “irmãs”?)

Mas, onde param mesmo os “fiéis”,
neste ano de Festas à semana?
Se é para todos, como mandam as leis,
Por que raio ficam tantos na cama?
Na hora da foto todos são “Reis”;
(como na “disco”, ao fim-de-semana)
Assim revelas o cu, Ó Nicoleiro,
As Tuas Nicolinas são (só) o Pinheiro.

(Ó “Jota Éne”, és de meter dó:
Comissão de Festas de um número só?)


Faça-se luz para esta lembrança,
é tempo de, solenemente, enaltecer,
a obra daqueles que, como herança,
deixaram exemplo, honra e saber;
Ser Nicolino é ter olhos de Criança
num mundo que não pára de envelhecer;
A Hélder Rocha, nosso “Nicolino-Mor”:
Consigo, este “sítio” foi melhor.

(A Ele e a Faria Martins, Senhor:
Dois nomes para (duas) Ruas, por favor.)

* * * * *

E quando o amar era dar a mão?
Ouve lá: o que é feito da cortesia?
Eu sei, os tempos das cartas já la vão,
mas não pode ser só tecnologia;
(Porque na hora de entrar em acção
é preciso fazê-lo com poesia;)
Vai-te daqui, ó gente caótica,
(amanhã) não há maçãs por fibra óptica!

(Para onde vais, ó mocidade?
Deixaste de ter habilidade?)


Ó (tostada) Rainha do Solário:
“tá tranquilo, tá favorável”, é isso?
Com tulicreme na cara, e diário,
tens estranha parecença com um chouriço;
Até rapazes…(não digas o contrário),
andais todos no mesmo compromisso;
(“RP” de profissão, no ginásio fez o curso,
com direito a lanche…e a “recurso”)

E é cada frase mais choramingona
a enfeitar vossos feed e mural;
uns com um problema de testosterona,
outras com distúrbio sentimental;
Um conselho: pegai numa esfregona
e lavai-vos bem (cheirais muito mal!);
Ah! E escutai música harmoniosa,
a que ouvis é (sei lá) pirosa.

(Alto lá, que também sei elogiar;
escutai a minha arte de “emendar”)

Mas Tu, Menina, da Folga a mais fina Flôr,
Não há no Mundo outra mais formosa,
(O que seria do Mundo sem Tua Côr?)
Escuta minha palavra, sempre respeitosa,
Abre Teu Peito ao (meu) canto em Teu Louvor:
Não importa se verso, se quadra, se Glosa;
se soneto, se Ode, se prosa, se Pregão;
Nenhum(a) te faz Justiça: És Coração!

Esperarás por mim lá no teu palanque,
Amanhã, pela tarde (já tardinha)?
Aparecerei no meu carro (ou tanque),
Procurar-te-ei, Ó Donzela Minha;
Carregarei a Lança, a pé (nem que manque!),
entregar-te-ei a Maçã mais coradinha;
Dos Presentes, guarda-me o mais sábio:
Um doce beijo em cada lábio.

(Avançarei, firme, em “linha recta”,
que, ao longe, já vislumbro a Meta!

* * * * *

Xico do Jesualdo, ergue-te do assento,
acha frincha de onde possas escutar
(aí no Paraíso) este meu lamento
que Tua Memória pretende exaltar;
Ouve a Palavra levada pelo Vento,
Ao Mundo quero Teu Nome recordar;
Ganhe minha Voz Poder Divino
para poder cantar-Te, Nobre Nicolino!

E este Som que em meu peito ribomba
é desta Terra a Banda-sonora;
“Vão-Mestre”, esconda a grave tromba,
zarpe daqui, xô, (rápido!), embora!
Filhos de Nicolau, largai a bomba,
chamai o Barulho, chegou a Hora!
Chefe, vá, ajeita a Boneca,
Este Trovão ouvir-se-á em Meca!

Às Peles, Juventude, ao Trabalho,
façamos o Mundo estremecer;
Que o medo não sirva de agasalho,
Maçanetas ao alto, toca a erguer;
Minha garganta já acusa o orvalho,
Vamos, agora, não há tempo a perder;
Soltai a Ira, Vertei a explosão,
Quero escutar-vos em plena União!

Fazei abanar os Pilares da Terra,
desviai os astros da órbita habitual;
Dizei ao Universo (como Alma que berra):
Aqui, por Guimarães, corre o Sangue de Portugal!

AUCTOR

Relegaberis Nicolinum scriptor:
Gonsalvus filium P. Caesar;
Philosophus (in dies Martis);

(cum Securis M. amicorum auxilio)

Foto: CM Guimarães