Em finais de fevereiro do ano em curso, escrevi para o “Duas Caras” um texto, fazendo a abordagem dos riscos latentes em que a União Europeia mergulhava, face às alterações das lideranças políticas, na Europa com o Brexit e nos Estados Unidos com a eleição de Trump. Enfatizava o indesculpável erro de nos sentirmos desarmados e, por isso, impotentes, para afrontar os desafios e os perigos que agora nos batem à porta.
Hoje pode afirmar-se que, num curto espaço de tempo, a conflitualidade que, à data, se adivinhava, subiu de escala e dá sinais de alastrar a outras partes do globo o que, aliás, já está a acontecer.
Ao longo da história da humanidade, sempre que fenómenos destes surgiram e iam ganhando dimensão foram sendo exponenciados por interesses geoestratégicos de consequências imprevisíveis, mas nefastas. Acresce, ainda, que o tipo de lideranças que hoje grassa no mundo não prima pela sensatez, podendo, num dos seus tontos repentismos, agudizar a conflitualidade crescente.
No atual contexto, o futuro à escala global, torna-se assaz mais complexo quando, dos dois lados da barricada, há pelo menos duas personagens estranhíssimas (o Presidente dos EUA e o Presidente da Coreia do Norte), para além de outras mais frias mas igualmente belicosas, em quem também não se pode confiar.
A atitude da Síria ao usar gás letal para atacar populações indefesas correu-lhe mal. Pensava contar com o beneplácito dos Estados Unidos da América dadas as boas relações destes com a Rússia. A política de geometria variável de Trump, não deixou o crime sem castigo, ao mesmo tempo que acendia um rastilho de incalculáveis proporções, para já, sem fim à vista.
Durante todo este fervilhar de um militarismo que há décadas não se via, a Europa assiste expectante e impotente ao desenrolar dos acontecimentos, incapaz, por inerme, se tudo isto vier a agudizar-se.
Apesar dos vários esforços que alguns países fazem para apaziguar o geral nervosismo bélico, o bom senso não pontifica. Perdem-se horas e horas de debates, de argumentos cruzados de vários tons, mas, na hora da decisão, lá vem o veto exclusivo de uma ou outra grande potência, que lança por terra o que uma larguíssima maioria de países consensualizou.
Que futuro nos espera? Nem os mais avisados e conhecedores profundos desta complexa teia de interesses têm resposta para tal questão. Podemos porém concluir, aferindo sinais sustentados pelas pretensões geoestratégicas das grandes potências, que a paz com que sonhamos não é fácil de vislumbrar.
Concluindo: O mundo em que vivemos está mesmo perigoso!
