A preparação para a candidatura a Capital Verde Europeia veio acompanhada de uma certeza: “o importante é o caminho e não o título que possamos conquistar!” – disse-o vezes sem conta o presidente da Câmara Municipal de Guimarães. No entanto, a cada projecto apresentado somos confrontados com diversas dúvidas se esta candidatura terá o sucesso desejado e se o caminho escolhido é o adequado.
A Câmara PS, a mesma que quer contribuir para uma cidade ambientalmente sustentável, propõe um parque de estacionamento entre a Rua de Camões e a Caldeiroa com 400 lugares.
E qual não é o nosso espanto quando assistimos a uma proposta igual por parte da Coligação PSD/CDS, que contrapõe com a construção de dois parques – um parque de estacionamento no Toural com 500 lugares e outro parque de estacionamento no Largo da República do Brasil com 300 lugares.
Ambos justificam estes projectos com a necessidade de se resolver o problema da cidade, ou seja, o estacionamento… ou a falta dele.
Estes partidos escolhem para o centro da cidade o caos e o regresso das 780 mil toneladas de CO2, que desapareceram com a redução da circulação de autocarros no centro da cidade. Em 2015, a Câmara justificou a redução das carreiras com este argumento, que agora parece esquecido.
Assim sendo, teremos mais carros na cidade, mais poluição para todos. Afinal, a cidade não sairá a ganhar nem com um projecto, nem com o outro.
Defender uma rede de transportes públicos colectivos que sirva as populações, com qualidade, a preços acessíveis e de acesso a todos, mesmo dos que tem mobilidade reduzida ou condicionada, é a solução. É a solução que a CDU sempre defendeu e continuará a defender.
No entanto, não esqueçamos que nenhum de nós se pode alhear das suas responsabilidades de cidadania e, por isso, optar pelo transporte público é contribuir para uma menor dependência do automóvel, dos produtos petrolíferos e também para uma melhoria da qualidade de vida na cidade.
A realidade de Guimarães é lamentável. Apesar dos Transportes Urbanos de Guimarães terem a sua rede, sobretudo à volta do centro da cidade, não é suficiente, não é satisfatória e é até discriminatória.
Sabiam que se o senhor presidente da Câmara quisesse dar o exemplo, optando pelo transporte público, não poderia fazê-lo? Pois é, os TUG não vão até Pinheiro.
É urgente criar hábitos de utilização de transporte público, mas para isso é necessário criar redes de transporte fiáveis, pois, nos dias que correm, quem chega à Estação tem que se deslocar de autocarro até ao Campo da Feira, e daí entrar numa outra linha para o seu destino. Uma nada agradável dança de cadeiras.
A problemática dos transportes públicos em Guimarães arrasta-se e as soluções tardam em ser apresentadas. Como podemos pensar numa cidade amiga do ambiente se não fomentarmos a mudança de comportamentos?
