Estranha forma de democracia… de quem vive nesta ansiedade. Perdoem-me o abuso de distorcer o poema de Amália Rodrigues. Mas é este o nosso fado em Guimarães.
Chegados a período pré-eleitoral, cerram-se as fileiras dos partidos e alinham-se estratégias. Umas mais engenhosas que outras. Umas a transparecerem maior ansiedade que outras.
Na última Assembleia Municipal ordinária, pela voz do seu líder local, César Teixeira, o PSD deixou um aviso aos eleitos do Partido Socialista: não vão tolerar a apresentação de medidas de governo que vão para lá do atual mandato, e vão fazer queixa às entidades devidas se algum dos atuais eleitos se imiscuir na campanha eleitoral.
Uma leitura abusiva da Lei, mas com uma intenção muito clara: condicionar o poder executivo e legitimamente eleito a que, desde o dia em que estão marcadas as eleições autárquicas, até ao próximo dia 1 de outubro, se torne inútil e apenas um órgão de gestão. Sem planos plurianuais, sem medidas estratégias, sem execução de obras fundamentais que ultrapassem o período do mandato.
No final do mês do maio e a propósito da construção do parque da Caldeiroa, novamente o mesmo PSD e, novamente, pela voz do seu líder César Teixeira, apelaram a que a obra não se fizesse com um argumento muito semelhante. Na visão do representante de Passos Coelho em Guimarães existem dois projetos a ser votados em alternativa: o do parque do Toural de PSD, CDS, Partido Monárquico e Partido Pró-Vida e o da Caldeiroa, do atual executivo.
Está errado novamente. Há uma proposta, que é o do atual e legítimo Presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança, eleito por larga maioria nas listas do Partido Socialista, e com um programa eleitoral onde constava um parque de estacionamento naquela zona da cidade. O resto é, isso sim, pré-campanha eleitoral.
Curiosamente, César Teixeira junta-lhe ainda outro argumento: o Presidente da Câmara de Guimarães está politicamente isolado nesta opção. Curiosamente, a proposta do Parque da Caldeiroa é votada, nessa mesma semana, em reunião de câmara, com os votos do PS e CDU. Conclusão? Ficou o PSD isolado na votação desta matéria e nem o seu parceiro de coligação os acompanhou no voto contra, dado que o vereador do CDS não participou na discussão nem votação do ponto.
Ainda do lado do PSD, e a propósito da presença do Presidente da Câmara na tribuna do Jamor, o deputado municipal do PSD Luís Cirilo fala sobre “protagonismo barato”. Esquece o deputado municipal que é função do Presidente da Câmara de Guimarães representar todos os vimaranenses e as suas instituições. E estando a maior instituição desportiva do concelho no palco mais importante do futebol português, era uma obrigação que Domingos Bragança estivesse presente.
Porque é assim a democracia, por muito que custe ao PSD local. Os vimaranenses elegem os seus representantes para que tomem opções sufragadas eleitoralmente e para que os representem.
O desespero do período pré-eleitoral latente nas intervenções dos elementos do PSD não augura nada de bom para aquilo que se seguirá daqui até 1 de outubro. É o triste fado que conhecemos bem. A hipótese de o líder local voltar a averbar uma derrota assusta-os e deixa-os sem rumo. E nesta luta desenfreada pelo poder, sem saber qual o caminho, não contem com o PS.
Acabo como comecei, mas desta vez sem adulterar as palavras de Amália: “Eu não te acompanho mais. Pára, deixa de bater. Se não sabes onde vais, porque teimas em correr?”
Estranha forma de democracia, esta.
