Rufem as caixas, toquem os bombos, hoje é noite de Pinheiro.
A feliz coincidência da crónica desta semana calhar a 29 de novembro, impedia-me de pensar em qualquer outro assunto. O frio (esperamos todos que sem chuva!) que se fez sentir nos últimos dias, já nos fez estar a todos a pensar nesta noite.
Hoje é a noite mais longa do ano em Guimarães. O primeiro número das Nicolinas está sempre marcado nas agendas de todos os vimaranenses. Nas agendas, e em qualquer restaurante, ou espaço que nesta noite qualifique como tal, na cidade de Guimarães, cheios há vários dias, semanas ou anos.
Um momento de encontro, em muitos casos o encontro anual, com aqueles que cada um de nós escolhe partilhar a sua Ceia Nicolina. É também, hoje em dia, uma noite de mostrar a cidade a pessoas com que at vida nos fez cruzar. Mostramo-la com um orgulho imenso, e com um sentimento de pertença em relação à cidade e às festas difícil de explicar.
É, para além disso, o dia que muitos vimaranenses escolhem para voltar à cidade, caso a vida os tenha levado a morar noutro lugar. Nos últimos anos estive nessa situação e este foi, sempre, um dia marcado no calendário de férias.
Este ano tenho a felicidade de cá estar. Não só para o primeiro ato, mas para toda a semana das festividades. Um período de momentos únicos para fazer cumprir a tradição. Uma tradição que se adapta e transforma, mantendo contacto com as suas origens. Uma tradição viva.
Mas o Pinheiro é, por excelência, o ato de que a maioria guarda mais memórias. A primeira vez que vimos o Pinheiro passar, trazidos pelos bois. No meu caso, com a recordação de os ver quase perder o controlo perante um beata atirada para um dos animais.
A primeira vez que participamos da Ceia Nicolina. A primeira vez que tocamos bombo ou caixa. A nossa primeira caixa. As histórias de cada noite, que é diferente de ano para ano, mas que mantém os ingredientes que a torna única.
Esta é também uma noite em que cada um tem as suas próprias tradições. A sua forma de vivenciar o número Nicolino, mantendo locais, pessoas, refeições e uma fórmula que se repete de ano para ano.
A tradição mantém-se viva. E esta é uma responsabilidade que cada um de nós sente, não a deixando para donos ou autores.
Cada um contribui com a sua parte para a manter viva. Cabe a menos de uma dúzia de rapazes do Secundário que ela se cumpra. Mas cabe-nos a todos que ela se continue sempre a cumprir.
