Vi nos últimos tempos uma série que consistia numa ideia que o cinema por diversas vezes abordou: acordar todos os dias no mesmo dia, após um acontecimento dramático. No caso, a morte da personagem principal.
Este conceito é a analogia perfeita para a oposição feita pelo PSD Guimarães este mandato: continuam hoje a reviver o dia 1 de outubro de 2017. O evento marcante, que os fez entrar neste ciclo infinito, foi uma derrota eleitoral com que continuam a ter dificuldades em lidar.
Depois de quatro anos a desmerecer um novo executivo, por não lhe reconhecerem capacidade, viram os vimaranenses reforçar-lhe largamente a votação. Isto deixou-os presos à necessidade de reviver aquela data à procura de, numa segunda tentativa, terem razão, repetindo para isso os mesmos passos.
“Essa ideia era nossa”, “Nós tínhamos razão”, “Se fosse connosco, já estava” são hoje frases repetidas e que pretendem criar uma sensação de alternativa. Só que a alternativa faz-se por propostas distintas, ou contributos ao aperfeiçoamento das que estão a ser implementadas.
As poucas réstias de esperança numa oposição responsável que se foram vislumbrando no PSD no último ano, até nesta mesma assembleia, vão desaparecendo e perdendo espaço e passando para as segundas linhas.
O PSD está hoje tão preso ao dia 1 de outubro de 2017, que voltou à campanha eleitoral e aos cartazes na Rotunda de Silvares.
Acusam o PS de mentir ao anunciar em 2017 que o projeto estava em execução, quando sabem que estava. Na verdade, o único partido que mentiu no aparato de outdoors do período eleitoral, foi o PSD ao anunciar que ia fazer uma obra que não cabe nas responsabilidades do Município.
Hoje, como em quase tudo o que prometeram, dirão que não podemos afirmar que faltaram à verdade, porque não tiveram oportunidade de o demonstrar. É o tipo de oposição que estamos habituados noutros espectros políticos sem ambição de ocupar lugares de poder. Prometer tudo, mesmo sabendo que não terão capacidade de o fazer.
Mas, estando presos ao passado, convirá, também, lembrar qual foi o Governo que assinou o contrato com o Município para resolver o problema do desnivelamento de Silvares. Foi o tal Governo com maioria assente no Parlamento, liderado por António Costa.
O Governo que lhe antecedeu, não só não respondia aos anseios do Município de Guimarães, como até para a intervenção do desvio entre Mouril e a Variante queriam um estudo de tráfego, para comprovar a necessidade da obra. Do PSD da altura, nem uma palavra para defender os interesses de Guimarães. Nem uma palavra sobre prazos e datas de concretização.
Neste ciclo infinito em torno da derrota não digerida, surgem os mesmos efeitos da ficção que comecei por lembrar. Quando repetimos todos os dias a mesma data, acabamos por nos focar no calendário.
Hoje ao PSD já não interessa se há acordo celebrado, se há projeto apresentado, e se estamos em vias de ver a obra a concurso. Interessa saber o calendário a cada momento, neste como noutros assuntos que sabem que se vão resolver.
Espera-se pois, que o Município vá colocando cartazes na Rotunda a dar notas das diferentes fases: “Projeto em execução”, “Projeto apresentado”, “Obra a concurso”, “Visto do Tribunal de contas”, “Início da obra”. Preparem as impressoras e reservem o espaço para tanto cartaz.
Aquilo que não entendem, é que, quando a obra estiver concluída, estarão sem chão, sem presente e sem futuro. Porque quando ficamos presos no tempo, sem tentar inventar o amanhã, sem fazer propostas construtivas e alternativas, estaremos irremediavelmente sem nada para defender.

