O livro que quer fazer das Nicolinas as Festas de todos os estudantes de Guimarães

É já esta noite que o “Manual (para um pequeno) Nicolino” vai ser lançado (21h30, Sociedade Martins Sarmento). Logo hoje, 15 de novembro, dia em que se assinala o centenário do Nicolino-Mor, Hélder Rocha, que é também o narrador desta história. Da autoria de Paulo César Gonçalves e Gabriela Cunha, com ilustrações de Raquel Costa e prefácio de António Amaro das Neves, a obra pretende levar as Festas Nicolinas a todos os estudantes de Guimarães.

Ao Duas Caras, Paulo César Gonçalves explica que o “Manual (para um pequeno) Nicolino” versa sobre “a história das Festas Nicolinas contada aos mais jovens pelo seu maior contador de histórias e de estórias: o Engenheiro Hélder Rocha, Nicolino-Mor”. “A escolha do Nicolino-Mor para narrador não foi coincidência: por ser uma figura cimeira das Festas, mas também pela efeméride do seu centenário (o 15 de novembro). Foi uma grande personalidade da vida vimaranense do século XX”, sublinha.

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O Nicolino-Mor, Hélder Rocha, é o narrador da história

Para a “causa nicolina”, Paulo César Gonçalves quer deixar um contributo para que “as Nicolinas se tornem nas Festas de todos os estudantes de Guimarães, e não apenas dos do Secundário, como erradamente se pressupõe”. Diz ainda que “pode ajudar a acabar com uma série de mitos que não dignificam as Festas, fazendo com que alguns dos agentes envolvidos tomem, finalmente, consciência do que (não) andam a fazer”. O grande objetivo do “Manual” é, para o autor, “informar, educar, instruir, desmistificar: sugerir”.

Gabriela Cunha, co-autora, realça que o “Manual (para um pequeno) Nicolino” “pretende, ainda, ser a chave que abrirá – oficialmente – a porta para a participação activa das mulheres, nas festas”. Levantando a questão de género no seio das Festas, defende que a obra pode contribuir “para a preservação de uma tradição assexuada e desprovida de preconceitos que, afinal, é de todos aqueles que a sentirem no seu íntimo, independentemente do seu sexo, idade, condição social, ou qualquer outra característica diferenciadora”.

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Processo criativo do “Manual” durou vários meses

Depois do lançamento desta noite, o “Manual (para um pequeno) Nicolino” segue para presentações em escolas, assim como noutras instituições. “Já participámos no Guimarães noc noc, e estamos abertos à participação noutros eventos que consideremos pertinentes. Valorizamos e valorizaremos, sobretudo, o respeito pela obra e pelos seus autores. Sem condescendências”, pontua o autor.

A ideia de lançar um livro dirigido às crianças sobre as Nicolinas surgiu Paulo César Gonçalves, em 2013, quando estava dirigir o projeto da Vaca Negra, em Urgezes. “Havia uma exposição intitulada ‘Urgezes e as Nicolinas’, idealizada com base na histórica ligação da freguesia de Urgezes às Festas Nicolinas. Depois, a ideia foi amadurecendo”, dá conta o autor, “num processo em crescendo”. Refere que “as coisas surgiram e fluíram muito naturalmente”, acrescentando que “a ideia original foi cumprida, sim, mas muito modificada, muito por mérito da Gabriela, mas também da Raquel”.

Paulo César Gonçalves está ligado às Festas desde a infância. Sim, desde a infância, quando “ainda era um pequeno estudante da Escola Primária de São Roque, Costa”. Paulo assistiu pela primeira vez às Danças de São Nicolau com seis anos. “Depois, de uma ou de outra forma, fui acompanhando. Por vários motivos, estive ‘longe’. A partir de 2011, aproximei-me novamente”, diz. Em 2012 foi desafiado por Chico Jesualdo (velho nicolino Chico Ribeiro, falecido em agosto deste ano) para escrever o Pregão. Mas os seus textos só viriam a ser declamados nos cincos de dezembro de 2014 e 2015.

Por Catarina Castro Abreu
Fotos: Direitos Reservados