Pontapé de saída

É sempre motivo de regozijo quando aparece um novo projecto jornalístico por tudo o que isso significa de espaço de liberdade, de diversidade noticiosa, de oportunidade opinativa numa comunidade que desde sempre se habituou a poder ter na sua imprensa um espelho diversificado das suas realidades.

Guimarães, mesmo antes do 25 de Abril mas com compreensível incidência nos tempos que lhe foram posteriores, sempre foi uma terra de jornais e jornalistas.

Do antes vinham o “Notícias de Guimarães” e o “Comércio de Guimarães” com posturas diferentes (dentro do então possível) sobre o regime mas com algumas tímidas tentativas, face ao “lápis azul”, de deixarem a comunidade “respirar” outras opiniões que não as oficiais do Estado Novo.

Depois foram os “anos dourados” da imprensa local.

Apareceram os jornais “Povo de Guimarães”, “Toural” (depois “Expresso do Ave”), “Tribuna de Guimarães”, “Semanário de Guimarães”, “Reflexo” e, correspondendo a um fenómeno de âmbito nacional, as rádios locais.

Primeiro a Fundação, depois a Guimarães e finalmente a Santiago, que deram à comunidade uma enorme legião de novos interventores jornalísticos, políticos, desportivos e culturais na área da comunicação social.

Nos tempos actuais, por força das vicissitudes próprias de um país em longa crise financeira, o panorama foi mudando, para pior, e muitos desses projectos jornalísticos extinguiram-se essencialmente por falta de viabilidade económica.

Restam o “Grupo Santiago” (rádio, jornais, “Comércio de Guimarães” e “Desportivo de Guimarães”, e jornal digital “Guimarães Digital”), o “Grupo Mais Guimarães” (jornal Mais Guimarães, revista e site homónimos), a rádio “Fundação”, o jornal “Reflexo”, nas Taipas, e o “Lordelo Jornal”, na vila com o mesmo nome.

Tudo o resto se perdeu na voragem dos tempos e das crises.

E por isso se saúda o aparecimento do “Duas Caras”.

Um projecto jornalístico livre, descomprometido, sem intuitos comerciais nem custos financeiros que o tornem dependente de publicidades institucionais e de boas vontades dos diversos “poderes” existentes na comunidade e que tantas vezes estão dependentes do lado para que acordam os seus principais protagonistas!

Um projecto que tem o seu ponto de partida na visão e dinâmica da jornalista que o fundou mas cujos limites serão definidos pela receptividade dos leitores, pelo apoio da comunidade, pelos desafios que vá consecutivamente vencendo.

Por mim agradeço à Catarina o convite que me formulou e cá estarei semanalmente com a minha opinião sobre aquilo que me parecer mais relevante na nossa Terra, da política ao desporto e o que mais se proporcionar.

Mãos à obra!

 

Luís Cirilo Carvalho, 57 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.