Metro do Porto diz que informou Vitória que ia cobrar um euro para adeptos acederem ao serviço

Não há números oficiais mas um dos revisores da CP, que ontem, 20, acompanhou os adeptos do Vitória no “comboio branco”, disse que estavam “seguramente” 3500 vitorianos nas duas composições que fizeram o trajeto Guimarães-Campanhã. Os problemas na organização começaram à chegada ao Porto, em que os adeptos aguardaram mais de uma hora para ir até à estação da Casa da Música e depois seguirem para o Estádio do Bessa. Resultado: uma boa parte dos espetadores chegaram quase no intervalo do jogo que opôs Boavista e o clube da cidade-berço para a Taça de Portugal. O Vitória, até à hora desta publicação, não se pronunciou sobre o assunto.

O dia foi de festa. Ao final do almoço, os adeptos iam-se reunindo junto à estação da CP. Poucos minutos após a hora marcada (16h30), as duas composições com a lotação completa de adeptos vitorianos partiram rumo a Campanhã, sempre num clima de alegria e cânticos de apoio ao clube. Chegados aos Porto, foi criada uma zona tampão para escoar os 3500 vitorianos para as carruagens do metro. Foi aqui que tudo se complicou.

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Adeptos chegaram pouco antes das 18h00 a Campanhã. O último metro para a Casa da Música partiu depois das 19h00.

A entrada nos vagões era feita a conta-gotas, com os adeptos a terem de pagar um euro aos seguranças contratados pela Metro do Porto para seguirem para a Casa da Música. António Lopes, dos Amigos do Vitória, associação que não esteve diretamente ligada com a organização do “comboio branco” – a cargo das claques dos White Angels e dos Suspeitos do Costume -, disse ao Duas Caras que tanto os transportes como o bilhete estavam incluídos no preço total do pack, no valor de 12,5 euros. “A mensagem que foi passada é que estava incluído no preço a deslocação de comboio e metro, mais o bilhete para o jogo”, refere.

“Fiquei muito surpreendido pela maneira da cobrança do euro. Foi no mínimo inaceitável, em frente aos olhos das autoridades. Os seguranças estavam de mão estendida à espera do euro e a colocar as moedas em sacos pretos”, relata este adepto vitoriano.

António Lopes diz ter sido o último dos adeptos a embarcar no Metro e, por consequência, sentou-se na bancada Norte do estádio do Bessa já passavam 42 minutos do apito inicial.

Metro do Porto diz que prática é usual e que foi comunicada aos responsáveis da organização

Jorge Morgado, assessor de comunicação da Metro do Porto, disse ao Duas Caras que a empresa foi informada de que “viria uma comitiva grande dos adeptos do Vitória e que havia dois comboios especiais da CP para o efeito”. A coordenação da operação foi feita com a CP, a PSP e o Vitória, refere este responsável, acrescentando que “o plano de contingência estava pensado para apenas 2000 pessoas”. Pelo menos, eram esses os dados que “a Metro do Porto teve em sua posse quando planeou a operação”.

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Vitorianos tiveram que esperar mais 20 minutos pela escolta policial. A essa hora, o jogo já decorria há largos minutos.

Esclarece ainda que este tipo de operação “implica um custo”: “Há uma regra na Metro, em quase 14 anos de operação, de que não há transporte público gratuito. No Metro do Porto não há nenhum dia em que o transporte seja gratuito, nem para festivais nem para maratonas, nem para os jogos da seleção”. Nesse sentido, avança Jorge Morgado, foi encontrado “um preço especial para esta operação”, que “exigia quatro veículos dedicados”. Foi fixado o preço de um euro, já com “desconto simpático”, diz, na medida em que “o valor de deslocação de ida e volta entre Campanhã e Francos (a estação de metro mais próxima do estádio do Bessa) custaria três euros (andante por 0,60 euros, acrescido do preço das duas viagens por 2,40 euros)”.

 Jorge Morgado garante ainda que “a informação foi conversada com o Vitória, com um dirigente do Vitória, que fez ligação com a claque”. Reforça ainda que “a organização sabia que esse valor ia ser cobrado à entrada do Metro”. “Disseram que iam divulgar isso, avisando toda a gente, inclusive na viagem de comboio”, transmitindo que “ia ser preciso pagar um euro para assegurar a ligação de metro”. “O euro foi para a Metro do Porto e isso foi combinado entre quinta e sexta-feira, antes da data do jogo, entre a PSP, a Metro do Porto e um dirigente do Vitória”, sublinha.

O assessor da Metro informa ainda que “não houve registo de ocorrências” e que “tudo correu bem”. A preocupação fundamental para a empresa era “evitar tempos de espera excessivos e confusões”, acrescentando que “este é um tipo de operação que a empresa faz quando há eventos de massas, como na Queima das Fitas, festivais de música e jogos de futebol com claques que vêm de fora do Porto”.

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Os adeptos foram recompensados com uma vitória importante para um dos principais objetivos do clube para a presente época.

Vitória não se pronuncia sobre o assunto

Até à hora da publicação desta notícia, o Vitória não se pronunciou publicamente sobre os acontecimentos de ontem.

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À saída do Bessa, o mar de adeptos vitorianos impressionava.
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No final do jogo, os 3500 adeptos foram encaminhados para a estação da Casa da Música, onde aguardaram cerca de 40 minutos pelo metro que os levaria a Campanhã. A chegada a Guimarães deu-se pela 01h00.
Por Catarina Castro Abreu
Foto de abertura: Página oficial do Vitória SC no Facebook
Fotos: Duas Caras