As alterações climáticas e o futuro do planeta

Sem qualquer tipo de pretensão de abordar com profundos conhecimentos o fenómeno que a todos nos atinge e que a tantos inquieta, quero dar aqui o meu modesto contributo a favor das preocupações que sobressaltam tantos países, instituições e os cidadãos em geral, num momento tão crítico como o que vivemos, no que às alterações climáticas e suas consequências diz respeito.

Para se obterem resultados palpáveis e sentidos por todos, ainda que a médio/longo prazo, segundo os mais otimistas, isso implicará uma conjugação de esforços de vários países, particularmente os mais ricos, por serem os que mais poluem, reduzindo os seus índices de poluição por um lado e ajudando os países mais carenciados a mudarem o seu “modus  vivendi”, que não o alteram por evidente falta de meios.

O tema, desde há longos anos, vem sendo abordado pela comunidade internacional, revelando, com estudos específicos, as consequências trágicas que, a médio prazo, constituirão um perigo efetivo para a humanidade. Todavia, a evolução tão rápida que está a verificar-se nas alterações climáticas soa como um alerta vermelho para todos quantos vivem o futuro do Planeta Terra.

Alguns dos países mais ricos e, também por isso, mais poluidores, como atrás se refere, foram, até há bem pouco tempo, um travão efetivo quanto à aceitação de medidas que minorassem os estragos que a conduta humana está a provocar no clima.

A evidência da alteração dos vários fenómenos meteorológicos num tão curto espaço de tempo é demasiado óbvia. Mesmo os mais céticos não têm dúvidas de que algo há a fazer para a sustentabilidade das condições de vida no Planeta que habitamos.

Os interesses que, até agora, fragilizaram a tomada de decisões vão ter de ceder à cada vez maior dimensão das catástrofes naturais, que não poupam nada nem ninguém sempre que assolam determinada região. Além disso, já se podem considerar catástrofes naturais permanentes os grandes níveis de poluição que atingem as megapolis do globo, comprometendo a saúde dos seus cidadãos e contribuindo, por isso, para uma vida atribulada das sociedades que já suportam esse pesadelo. É bom ter em conta que, para lá das grandes cidades que sofrem diretamente os efeitos profundamente nocivos da falta de medidas dos seus governantes, também todos nós, de uma forma indireta, ainda que desfasada no tempo, somos vítimas desses mesmos crimes ambientais.

Os problemas que as alterações climáticas provocam são já tão perniciosos e tão visíveis, que assustam qualquer cidadão minimamente avisado. É o clima de uma região que se altera com nefastas e variadas consequências; é o degelo que já ameaça alguns países ao ponto de haver previsões, cientificamente rigorosas, que apontam, a curto prazo, para o seu desaparecimento; é a biodiversidade posta em causa a nível planetário; enfim, um sem número de consequências trágicas que hão de impor, porventura já tarde, a tomada de posições à escala global, visando minorar os estragos que a nossa civilização vai cometendo contínua e reiteradamente.

Os países mais poluidores, os Estados Unidos e a China, não podem ficar à margem das suas responsabilidades e reconhecê-lo-ão, tanto mais depressa quanto as catástrofes naturais (como já está a acontecer) lhes baterem à porta. Essas catástrofes causam já hoje tantas mortes, tanta desgraça e tantos prejuízos que podem constituir a alavanca indireta que leve a percecionar a exigência de agirem tão depressa quanto possível.

As últimas cimeiras sobre o tema revelam uma outra sensibilidade quanto à tentativa de resolução do problema. Mas o conceito global do mesmo dificulta o entendimento entre as partes, face aos interesses em jogo.

Os países mais pobres e mais ameaçados terão de contar com o apoio dos mais ricos porque são os principais causadores da situação a que se chegou. Termino este meu modesto contributo com uma observação, evidente para todos nós. Não é preciso ter uma idade avançada para se perceber a olho nu como em questões de clima tudo isto está a mudar. E o que nos deve merecer uma meditação especial é que as alterações que estão a produzir-se não podem ser mensuráveis à escala da vida de um ser humano, mas sim à escala da vida do Planeta em que vivemos.

Quando raciocinamos desta maneira, o que observamos passa por nós à “velocidade da luz”. Isto é aterrador para a humanidade.

NOTA: Todos temos a obrigação de assumir o conceito de uma cidadania responsável. Será o pequeno contributo que possamos dar para esta causa universal. Não será globalmente muito importante mas é a colaboração possível que nos dará mais força para exigir a terceiros outras responsabilidades, uma conduta universalmente cidadã.

António Magalhães, 72 anos, é presidente, desde 2013, da Assembleia Municipal de Guimarães. Anteriormente, liderou a Câmara Municipal de Guimarães entre 1990 e 2013, sempre eleito pelas listas do PS, e foi ainda deputado à Assembleia da República entre 1976 e 1987, pelo mesmo partido. Atualmente, é também membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA).