O Crematório

Na última reunião de câmara foi dado a conhecer que Guimarães terá a partir de 2017 um crematório, situado no cemitério municipal de Monchique, sendo a terceira cidade/concelho do país a possuir esse tipo de equipamento depois dos inevitáveis Porto e Lisboa.

É uma boa notícia sem sombra de dúvidas.

Embora em Portugal, país de arreigadas tradições, as cremações como alternativa aos funerais tradicionais ainda não estejam muito popularizadas, é inevitável que isso venha a acontecer com o decorrer dos tempos, quer por razões práticas de falta de espaço nos cemitérios, quer por razões ambientais que se prendem com a poluição que os cemitérios representam nomeadamente em termos de águas subterrâneas.

Ao que se sabe, os dois crematórios existentes no Porto e em Lisboa não têm mãos a medir mas isso é explicável precisamente por se situarem nos dois maiores centros urbanos, onde a sensibilidade para a alternativa cremação é necessariamente maior do que a existente no resto do país, em que as novas “modas” demoram sempre algum tempo a fazerem o seu caminho.

Bastará lembrar o que se passou aqui na região, no século dezanove, quando as pessoas passaram a ser sepultadas em cemitérios e não nas igrejas, como até então vinha sendo hábito, o que originou uma enorme revolta popular iniciada na Póvoa de Lanhoso e que alastrou a várias zonas do país.

Com os crematórios não haverá, evidentemente, revoluções tipo “Maria da Fonte” mas a solução cremação em vez de sepultura ainda levará o seu tempo a tornar-se normal e primeira opção das pessoas e das famílias.

Mas o caminho faz-se andando e por isso a decisão da câmara merece aplauso.

Já quanto ao modelo de gestão, tenho as maiores dúvidas de que seja o melhor.

Como é sabido, a decisão passa por concessionar a privados, por vinte e cinco anos, a gestão desse equipamento, o que me parece poder constituir algum risco em termos da prática de preços acessíveis para os que recorrerem a essa opção atendendo a toda a especulação que existe em volta do negócio dos funerais.

Parecer-me-ia preferível que a gestão ficasse na tutela da câmara, que a funcionários camarários fosse dada formação específica nos procedimentos e tarefas do equipamento, assim defendendo melhor os interesses dos munícipes e garantindo que o inevitável aumento da procura sem correspondência no da oferta não descambasse na especulação em termos de preços.

Mas é apenas a minha opinião.

Importante é Guimarães passar a ter um crematório para servir o concelho e a região.

E isso vai ser uma realidade!

Luís Cirilo Carvalho, 57 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.