Duas Caras: Nuno Guimarães e José Maia

Hoje, 06 de dezembro, é o dia grande das Nicolinas e o Duas Caras estreia o conceito que também serve de base ao projeto: dois rostos, duas histórias de vida sobre o mesmo fenómeno. Esta edição versa sobre a forma como as seculares festas dos estudantes vimaranenses marcaram a vida de um novo e de um velho nicolinos. De 29 de novembro a 07 de dezembro, são nove dias que encerram para sempre lições de companheirismo e de superação de desafios. Hoje é dia de S. Nicolau e o dia grande das Nicolinas com a realização das Maçãzinhas e as Danças. Tudo termina esta quarta-feira, 07, com o Baile Nicolino.

Nuno Guimarães, 18 anos, presidente da Comissão das Festas Nicolinas 2016
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Nuno Guimarães é trineto da senhora Aninhas e as Nicolinas marcaram-lhe a infância

O Pregão decorre e o presidente da Comissão das Festas Nicolinas deste ano faz uma pausa no cortejo, marcado pela alegria juvenil, para falar com o Duas Caras. Este é o segundo ano em que faz parte da Comissão de Festas. Depois de em 2015 ter sido 2.º vogal da academia, Nuno Guimarães enverga hoje a faixa verde de presidente. A participação nas festas sempre foi um sonho da vida deste jovem de 18 anos. Afinal, a herança pesa ou não fosse trineto da senhora Aninhas, madrinha dos estudantes e personagem marcante na História nicolina: “Tenho muitos familiares que sempre estiveram ligados a isto. Cresci com o meu avô a contar histórias sobre ela [senhora Aninhas] e desde pequeno que tenho o sonho de entrar na Comissão”.

Para Nuno, esta é “uma experiência inesquecível”. Di-lo com muita emoção, recomendando a experiência aos que se seguem na passagem pelas escolas secundárias de Guimarães: “Fica para toda a vida, são recordações que ninguém nos pode retirar. Guardo cada canto da comissão em mim, não em objetos, mas em sentimentos únicos”.

Nos professores tem encontrado cada vez mais compreensão para estes meses exigentes. “São noites e noites a preparar tudo e depois não é fácil ir às aulas. Temos força de vontade, queremos ir às aulas para que os professores não tenham má imagem de nós. Mas muitas vezes é impossível porque estamos muito cansados”, diz, apontando a criação de um estatuto para membros da Comissão de Festas como uma solução a avançar já no próximo mês de janeiro.

Segue-se agora, provavelmente, um curso de engenharia. Da Comissão de Festas leva a experiência da liderança, que julga ser uma “mais-valia” para o futuro. Promete que estará “sempre aqui”, mesmo depois de deixar a presidência da entidade responsável por levar a cabo os números das Festas Nicolinas. “Não me consigo separar disto”, confessa.

José Maia, 59 anos, 1.º vogal da academia da Comissão das Festas Nicolinas 1977
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Momento mais marcante do ano de 1977 foi o jantar que se seguiu ao Pregão, na casa do Xico Ribeiro

O velho nicolino decidiu tarde alinhar na Comissão de 1977. Tinha 18 anos. “Era um bom aluno e andava sempre atrasado”, ironiza. José Maia foi criado num ambiente nicolino:
“Desde o antigo primeiro ano do liceu [hoje quinto ano], sempre fui sujeito às ‘regras nicolinas’. Aquilo entranha-se. Esta coisa das Nicolinas entranha-se”.

Entretanto acontece o 25 de abril e passados dois anos lá estava José Maia a apresentar-se à eleição. Sempre por amor à causa e à festa. O pai não lhe pôs obstáculos, só disse: “Juízo!”. E isso era suficiente. A mãe preocupou-se, mas era destino sem saída. Afinal, na família já havia outros históricos nicolinos.

O impacto na vida das Nicolinas dá-se ao nível das relações pessoais. “Uma Comissão Nicolina, naqueles meses em que trabalha em conjunto, ultrapassa dificuldades, cria bases de amizade e de confiança que servem para a vida. Ao longo dos anos vamos recordando isso e vamos buscar a esses tempos os ensinamentos que nos ajudam a ultrapassar obstáculos”, recorda o velho nicolino. Prova disso, é que, hoje, grande parte dos amigos que mantém são desse ido ano de 1977.

Questionado sobre o momento que mais o marcou, fica periclitante entre várias memórias. Mas depressa uma se destaca: “Como é sabido, no ano em que o pregoeiro faz o seu Pregão é da praxe a mãe do pregoeiro oferecer um jantar à Comissão de Festas no final do dia 05. Nesse ano o pregoeiro – e também presidente – era o Xico Ribeiro [velho nicolino falecido em agosto deste ano] e esse momento de confraternização na casa dos pais do Xico foi de facto um momento inesquecível, inesquecível mesmo”.

Por Catarina Castro Abreu
Fotos: Direitos Reservados