Confesso não ser um entendido em protocolo de Estado e inerentes cerimoniais, convites, precedências protocolares e afins. Disso sei apenas o que remete para as normais regras de boa educação, o que tive necessidade de aprender por força de alguns cargos que desempenhei e o que ao longo dos anos fui lendo, aqui e ali, pela curiosidade de saber mais.
Sei, isso sim, o suficiente para não confundir regras de boa educação e respeito pelas instituições com salamaleques ou subserviências, como faz uma certa esquerda, à esquerda do PS, que à boleia disso não se incomoda nada em dar tristes espectáculos de má educação, arrogância e desrespeito pelo órgão de soberania em que tem assento e por quem esse órgão recebe na qualidade de convidado.
Mas não sendo, repito, especialista em protocolo de Estado não posso deixar de me considerar francamente perplexo com o que aconteceu no jantar oferecido pelo Presidente da República aos Reis de Espanha no Paço dos Duques de Bragança na passada semana.
Não, não me refiro ao casaquinho pendurado nas costas da cadeira pela mulher do primeiro-ministro, porque isso remete para pura parolice, nem para os inenarráveis vestidos que a referida senhora mais a mulher de Ferro Rodrigues vestiam e que remetem para uma questão de gosto ou enorme falta dele.
Refiro-me a outra questão bem mais séria.
E que é o facto de o presidente da Assembleia Municipal de Guimarães não ter sido convidado para esse jantar na qualidade de primeiro representante dos cidadãos do município.
Aí sim pareceu-me existir uma falha protocolar.
Porque se estavam primeiro-ministro e presidente da Assembleia da República faria todo o sentido estar igualmente o presidente da Assembleia Municipal a par do presidente da Câmara (que, e muito bem, foi convidado) como vi acontecer tantas vezes, em muitos lados incluindo Guimarães, ao longo dos anos e em jantares ou almoços com igual carga protocolar.
E isto sem comentar outras presenças no referido jantar, que me parecem extremamente difíceis de perceber.
Como cidadão e membro da assembleia municipal não gostei dessa falha que considero ter até constituído um sinal de desrespeito pelo órgão autárquico.
E, não percebendo essa falha do protocolo de Estado, percebo ainda menos que a nível local ninguém lhes tenha chamado a atenção para isso e exigido a correcção da descortesia cometida.
Guimarães, a Assembleia Municipal e o Dr. António Magalhães não mereciam!
Luís Cirilo Carvalho, 57 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.
