Guimarães vai acolher refugiados que estão na base de conflito com a Grécia

As 30 pessoas da comunidade yazidi que Portugal se propôs a acolher deverão vir para Guimarães, anunciou esta terça-feira, 24, o ministro-Adjunto Eduardo Cabrita. Este acolhimento está a gerar mal-estar entre Portugal e a Grécia, que diz que “um Governo não pode discriminar tendo em conta a raça”.

O ministro-Adjunto Eduardo Cabrita, que falava ontem na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na Assembleia da República, informou que as 30 pessoas devem chegar nas próximas duas semanas a Guimarães. Mas deverão ser mais de 100 os refugiados Yazidi – podendo atingir os 400 – acolhidos por Portugal. Até agora, revelou, já chegaram a terras lusas 900 refugiados vindos de várias origens. Portugal, a par com a Alemanha, são os países que mais se disponibilizaram para acolher pessoas yazidi.

A medida está a causar problemas nas relações greco-portuguesas. “Um Governo não pode discriminar tendo em conta a raça”, disse o ministro grego das Migrações numa declaração à agência Associated Press. À TSF, a eurodeputada Ana Gomes já criticou a posição do governo helénico: “Infelizmente esta atitude do Governo grego não é nova. Não entendo esta actuação das autoridades gregas. É contrária aos seus próprios interesses”.

A comunidade yazidi tem sido particularmente massacrada pelos terroristas do Daesh com o objetivo de retirar todas as influências não muçulmanas do Iraque e da Síria. Segundo a Euronews, a maioria da comunidade – cerca de 500 mil pessoas – vive no Iraque, na zona da planície de Nínive, onde vivem também muitos cristãos e membros de outras minorias religiosas. Há também 50 mil yazidis na Síria, na fronteira com o Iraque. A Rússia e a Arménia contam com comunidades significativas de algumas dezenas de milhares e a Alemanha é atualmente o país onde existe a maior diáspora, com 60 mil pessoas, vindas sobretudo da Turquia.

Os yazidis têm sido perseguidos ao longo de milénios, vítimas de genocídios e do ódio, tanto de cristãos como de muçulmanos. A religião yazidi é pré-cristã e mistura elementos de várias tradições religiosas, sobretudo o Zoroastrianismo, que já foi a religião maioritária na antiga Pérsia, mas com elementos do Islão e também do Cristianismo. A ação do Estado Islâmico sobre a comunidade yazidi tem sido particularmente violenta com as mulheres: há relatos de sequestros, escravidão sexual e comércio de mulheres e crianças.

Texto: Catarina Castro Abreu
Fotos: Direitos Reservados