A vitória do Moreirense na Taça da Liga

Hoje propus-me abordar um tema que, sendo de caráter local, extravasa as fronteiras do nosso concelho. É assunto de que não sou profundo conhecedor, tal como outros sobre os quais costumo escrever, o que nunca me inibiu de analisar qualquer tema, à luz do conhecimento geral.

Sei bem que os especialistas conseguem abordagens de outra natureza. Eu fico-me pelas apreciações mais genéricas, acessíveis a todos os que coloco no patamar do meu conhecimento.

Quando se trata de dissertar sobre futebol, a nossa tarefa fica facilitada, face aos milhões de treinadores de bancada que pululam por toda a parte. Assim, fácil é deixar um sinal do que me vai na alma por ser acessível e bem entendido por todos.

Quero, contudo, não ficar apenas pelo feito desportivo, merecedor de todos os encómios e façanha rara que o Moreirense conquistou.

Para muitos, que ao longo de tantos e tantos anos pretenderam alcançar este galardão, deve ser deprimente comparar o que lhes acontece, tendo em conta os recursos generosos que possuem, para lá de uma massa associativa doutra galáxia e ávida de êxitos desportivos.

Moreira de Cónegos é uma vila pequena, com uma população não muito expressiva (cerca de 5000 mil habitantes) e que, por isso mesmo, face a este feito nacional merece ser, agora sim para os especialistas, um caso de estudo.

O ditado popular diz-nos que não se fazem omeletes sem ovos. No desporto este axioma popular, normalmente, também não cai por terra. No que ao Moreirense diz respeito, hoje, serviu-se um banquete que, de uma assentada, provocou azia aos associados do Porto, do Benfica e do Braga. Agora podemos perguntar: de onde vieram tantos ingredientes, para além dos ovos, para tão farto repasto?

Como já não estamos em tempo de acreditar em milagres, para mais a triplicar, algo acontece na vetusta vila de Moreira de Cónegos que explique tal façanha. Fica aqui o desafio, se é que de desafio se trata.

Para mim a explicação para o que se está a passar, assenta necessariamente na organização exigente assumida pela sua direção, pela sua equipa técnica e pelo seu plantel, eivada de sustentado conhecimento que alicerça estes princípios. Para além disto, que me parece óbvio, não poderemos esquecer a sua massa associativa, não muito numerosa, mas de alma grande, orgulhosa do seu clube, da sua terra e da dimensão que esta alcança, graças às vitórias do seu Moreirense.

Quando um clube garboso do seu estatuto, em determinado período do seu historial, para alcançar um trofeu nacional, tem de derrotar o Porto, o Benfica e o Braga numa só prova, o que se pode exigir mais? Eu diria… nada. Mas, podemos exigir, com redobrado vigor, o respeito de todos aqueles que vivem as alegrias e tristezas do desporto rei.

Moreira de Cónegos, através do seu clube, faz chegar aos quatro cantos do país e, também, à diáspora, a alegria de quantos, por este meio, relembram a sua terra e o clube do seu coração. O Moreirense, até pela limitação de meios, é natural que não possa voar muito mais alto. Isso deveria permitir, sobretudo a alguns jornais desportivos, particularmente neste dia, dar o devido relevo a esta fantástica vitória, o que de facto não aconteceu. Infelizmente sabemos porquê.

O que alcançou o Moreirense na Taça da Liga é obra. Perante o seu passado e o relevante trabalho desportivo que efetua respeite-se o clube, os seus órgãos sociais e as gentes desta honrada terra.

Mil parabéns. Viva o Moreirense.

António Magalhães, 72 anos, é presidente da Assembleia Municipal de Guimarães desde 2013. Liderou a Câmara Municipal de Guimarães entre 1990 e 2013, sempre eleito pelas listas do PS, e foi ainda deputado à Assembleia da República entre 1976 e 1987, pelo mesmo partido. Atualmente, é também membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA).