Arena política vimaranense: Mudanças de partido, “caça às bruxas” e supostos financiamentos com fins eleitoralistas

Com a proximidade das eleições autárquicas, os combates políticos intensificam-se e a disputa partidária está cada vez mais presente nas reuniões de Câmara. Na passada quinta-feira, Torcato Ribeiro, da CDU, quis saber se o investimento nas freguesias é equitativo depois de o presidente de Junta de Atães e Rendufe ter dito publicamente que “muda de cor política porque só assim é que é possível realizar obras”. André Coelho Lima, da Coligação Juntos por Guimarães (JpG), informou que há trabalhadores na Câmara com medo de perder o emprego caso haja uma mudança da cor do executivo no próximo mês de outubro. Já Ricardo Araújo, também da JpG, criticou o facto do financiamento para as festas de interesse concelhio aumentar em ano de eleições.

O vereador comunista vincou que é “importante fazer uma separação entre o que é partidário de facto e o que o exercício do poder democrático em Guimarães”. “Quando alguém vem dizer publicamente que muda de cor política porque só assim é que é possível realizar obras [referindo-se às declarações de Patrício Araújo, presidente da junta de freguesia de Atães e Rendufe, que venceu em 2013 apoiado pela Coligação Juntos por Guimarães e que vai correr às próximas eleições pelo PS], temos que ter cuidado porque pode criar dúvida sobre a forma do exercício do poder”, pontuou Torcato Ribeiro, que sublinhou o facto de a oposição não ter “noção exata do que é investir numa freguesia” porque “não há acesso a todos os documentos”.

Domingos Bragança rejeitou as críticas e ressalvou que é “o presidente de todos os vimaranenses”, sublinhando que “todos os que venham por bem serão recebidos de braços abertos”. Nesse sentido, respondeu ao vereador comunista anunciando que vai disponibilizar “tudo o que seja necessário para mostrar a gestão equitativa por todo o concelho”, dando “toda a documentação necessária para ver o investimento em cada freguesia”.

“Caça às bruxas”

Já André Coelho Lima, que lidera a candidatura da Coligação Juntos por Guimarães à autarquia, denunciou que há “vários trabalhadores” que fizeram chegar, “verbalmente”, ao vereador social-democrata “a preocupação de que se faz constar nos corredores da autarquia” que, caso a JpG vença as eleições, “haverá despedimentos em massa”. “Isto é algo que tenho que lamentar profundamente, é uma forma pequena de se fazer política e de se tentar impedir que a democracia funcione”, indicou André Coelho Lima.

Confrontada com estas declarações, Adelina Paula Pinto, vereadora dos Recursos Humanos, informou que “nunca ouviu [esta preocupação] nos corredores da Câmara”. Além disso, “os despedimentos na administração pública ou local não são feitos de uma maneira para a outra. Nós não temos contratos a termo e os que estamos a abrir são com termo resolutivo. Quem suceder a este executivo tem que salvaguardar as decisões tomadas e por isso não há despedimentos em massa”, terminou a responsável.

Mais 35 mil euros para as festas concelhias

No total, a Câmara Municipal vai investir 145.900 euros nas festas de interesse concelhio, um aumento face à dotação de anos anteriores. Em 2016, o montante global investido foi de 111.200 euros. A Coligação Juntos por Guimarães, pela voz de Ricardo Araújo, criticou a postura dizendo que não pode deixar de criticar que “este aumento aconteça no último ano de mandato de Domingos Bragança, em ano de eleições”. José Bastos, vereador da Cultura, refutou as acusações do vereador da oposição e sublinhou que “os apoios não surgem em ano eleitoral”, mencionando os apoios extra de “meio milhão de euros em três anos”, fora do financiamento para as festas concelhias, para as várias coletividades. “A nossa lógica de raciocínio não se rege por anos eleitorais”, concluiu.

Texto: Catarina Castro Abreu
Foto: Marcela Faria