A Câmara de Guimarães e a Sociedade Protetora dos Animais (SPA) local acordaram em fazer um regulamento que abrirá o canil/gatil municipal à comunidade, através do voluntariado. A SPA considera “o dia histórico” depois de vários anos de atividade em prol dos animais. O presidente Domingos Bragança anunciou ainda o possível alargamento das competências territoriais daquela infra-estrutura com a recolha de animais nos concelhos da CIM do Ave.
As preocupações à volta do canil/gatil municipal, agudizadas nas últimas semanas com a denúncia de que o Centro de Recolha Oficial (CRO) estar a dar animais doentes dados para adoção, foram trazidas à reunião de Câmara pela voz de Torcato Ribeiro. O vereador comunista assinalou que atualmente aquela infra-estrutura está sujeita “a uma maior vigilância”, informando que quando se deslocou para conhecer as condições do canil/gatil municipal não lhe foi permitido “o acesso imediato”. “Visitei o centro de recolha acompanhado”, disse, “e sabemos que não é a mesma coisa, embora tenha sido bem informado do que estava em causa”, comentou.
Para Torcato Ribeiro, “faz todo o sentido abrir o canil à comunidade”, medida anunciada em reunião de Câmara pelo presidente da autarquia. “Recebi três membros da SPA e ficamos de elaborar um regulamento para a abertura do canil à prática do voluntariado. Na primeira fase a própria SPA vai enviar uma proposta de regulamento que depois será avaliada pelos serviços técnicos da Câmara. Elaborado esse regulamento será trazido à reunião Câmara para aprovação”, informou Domingos Bragança.
O edil anunciou ainda que “há um conjunto de propostas da Comunidade Intermunicipal do Ave que quer integrar o canil/gatil de Guimarães”, adiantando que “é necessário haver mais gente técnica a trabalhar”. “Nós acolhemos animais dos outros concelhos, que nos chegam cá. Guimarães está disponível com todos os concelhos que compõem a CIM do Ave mas isso tem que ser contratualizado, dentro das condições de cooperação e comparticipação financeira e logística”, sendo que a medida poderá “implicar a expansão da infra-estrutura e da equipa técnica, em articulação com os outros concelhos”.
SPA regozija-se com decisão
Num comunicado publicado na página oficial da SPA no Facebook, pode ler-se que “o canil/gatil de Guimarães vai abrir à comunidade”. “Está a ser elaborado um protocolo entre a Sociedade Protetora dos Animais de Guimarães e a Câmara Municipal, em que os pontos fundamentais são: a abertura do canil/gatil municipal à comunidade e a colaboração diária e ativa, dos voluntários da Sociedade Protetora dos Animais de Guimarães, naquele espaço”.
O anúncio surge uma semana depois desta organização lançar um apelo à comunidade dizendo que era a hora “de os vimaranenses que gostam de animais se unirem”, no sentido de fazer ver à autarquia que “o canil não funciona nas melhores condições, que os animais não são bem tratados, que grande parte dos mesmos saem de lá doentes acabando por morrer”.
Relatório descarta responsabilidades do canil
Numa queixa apresentada na Câmara Municipal, Maria Lima, dava conta de que adoptou uma cadela que teve que ser internada com gastroenterite no dia seguinte a ter ido buscar o animal ao CRO. Num relatório elaborado pela médica veterinária responsável pelo CRO, Guida Brito, que foi distribuído pelos vereadores na última reunião de Câmara, e a que o Duas Caras teve acesso pode ler-se que “a cadela em causa foi entregue no CRO em 18.01.2017 e integrava uma ninhada de nove cachorros com idade aproximada de dois meses” e que “não foi detetada nenhuma patologia a nenhum deles”.
O documento diz ainda que “a participante não deu conhecimento” ao princípio de que “caso surja algo de anormal com o animal, o mesmo poderá ser assistido no CRO até 10 dias apos a data de adoção”.
Texto: Catarina Castro Abreu
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