A 27 de fevereiro cumpre-se a tradição e mais de uma centena de criadores de gado chegados de vários pontos do Minho e de Trás-os-Montes sobem ao Terreiro de S. Torcato para exibir os animais. A festa é secular, celebra a ruralidade e assinala a data em que o arcebispo Torcato e os seus 27 discípulos foram dizimados pelas tropas muçulmanas, no ano de 715 ou 719.
A manhã está reservada à missa solene, o desfile dos animais a concurso e a distribuição dos prémios, nas várias categorias. Só taças foram distribuídas mais de 100. “É uma das três grandes festas que a Irmandade organiza todos os anos”, descreve Paulo Novais, juiz da Irmandade de São Torcato, evocando a história que deu origem à festa, que “representa os nossos ideais, as nossas crenças, no fundo, a liberdade e o espírito de sacrifício e dedicação aos outros”.

Este responsável lembra que S. Torcato “é a zona mais rural do concelho de Guimarães e, nesse sentido, é onde tradicionalmente havia uma feira franca”. “Aqui chegavam os criadores de gado para mostrar os animais e transaccioná-lo. Era o momento de vaidade do seu trabalho”, lembra Paulo Novais, que tem nos seus antepassados, nomeadamente o avô que vinha mostrar o seu gado de raça barrosã. Realça, como não poderia deixar de ser, que São Torcato sempre serviu de “pólo de atração” em toda região norte.

Frequentador assíduo da Feira dos 27, o presidente da Câmara Domingos Bragança conta que frequenta a festa desde muito jovem: “Costumava vir com os meus pais e nunca falho uma Feira dos 27”. A festa, sublinha, “está na memória de todos os vimaranenses num evento que mantém a tradição com alguns elementos inovadores”.

Mas nem só de gado se faz a celebração da Feira dos 27. A tarde está reservada à gincana a cavalo, seguida de prova de saltos e corrida de póneis. Camilo Gomes, de Vila do Conde, corre o norte do país com Rigoleto para acompanhar a neta Verónica neste tipo de provas, onde a jovem afina a técnica para as competições. O empresário, que tem três cavalos e dois póneis, diz que a paixão da neta é “dispendiosa” mas que vale a pena. Está pela primeira vez em São Torcato.

