Guimarães recebe pessoas de comunidade perseguida pelo Estado Islâmico

São 30 os cidadãos com necessidade de proteção internacional, oriundos da comunidade yazidi, que vão ficar instalados em alojamentos cedidos por instituições da rede social do concelho de Guimarães.

Em comunicado de imprensa, a Câmara Municipal de Guimarães anuncia que o município, em cooperação com o Conselho Português para os Refugiados e um conjunto de instituições que integram a Rede Social de Guimarães, vai receber esta segunda-feira, 06 de março, mais 30 cidadãos com necessidade de proteção internacional, oriundos da comunidade yazidi, que vão ficar instalados em alojamentos cedidos por instituições da rede social do concelho de Guimarães, no âmbito do Plano de Ação denominado “Guimarães Acolhe”, formalizado no dia 16 de março de 2016.

Quando anunciou a vinda das 30 pessoas da comunidade yazidi, o ministro-adjunto Eduardo Cabrita informou que poderiam chegar a 100 os refugiados yazidi – podendo atingir os 400 – acolhidos por Portugal. Até agora já chegaram a terras lusas 900 refugiados vindos de várias origens. Portugal, a par com a Alemanha, são os países que mais se disponibilizaram para acolher pessoas yazidi.

A comunidade yazidi tem sido particularmente massacrada pelos terroristas do Daesh com o objetivo de retirar todas as influências não muçulmanas do Iraque e da Síria. Segundo a Euronews, a maioria da comunidade – cerca de 500 mil pessoas – vive no Iraque, na zona da planície de Nínive, onde vivem também muitos cristãos e membros de outras minorias religiosas. Há também 50 mil yazidis na Síria, na fronteira com o Iraque. A Rússia e a Arménia contam com comunidades significativas de algumas dezenas de milhares e a Alemanha é atualmente o país onde existe a maior diáspora, com 60 mil pessoas, vindas sobretudo da Turquia.

Os yazidis têm sido perseguidos ao longo de milénios, vítimas de genocídios e do ódio, tanto de cristãos como de muçulmanos. A religião yazidi é pré-cristã e mistura elementos de várias tradições religiosas, sobretudo o Zoroastrianismo, que já foi a religião maioritária na antiga Pérsia, mas com elementos do Islão e também do Cristianismo. A ação do Estado Islâmico sobre a comunidade yazidi tem sido particularmente violenta com as mulheres: há relatos de sequestros, escravidão sexual e comércio de mulheres e crianças.

Primeiro bebé filho de refugiados nasceu a 20 de fevereiro

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Shady Tiago nasceu no Hospital de Guimarães

Shady Tiago, o segundo filho de Bourak Kaka e Rasha Sheikh, nasceu no passado dia 20 de fevereiro. O casal sírio foi acolhido em S. Clemente de Sande, numa parceria entre esta instituição e a Plataforma de Acolhimento de Refugiados (PAR).

Bourak Kaka e Rasha Sheikh têm 39 e 32 anos respetivamente e chegaram em outubro de 2016 à freguesia de Sande (São Clemente), trazendo, ao colo, Ghenwa, a filha de três anos que frequenta a creche e, no ventre, Shadi, um menino, cujo nome foi escolhido em homenagem ao irmão de Rasha que morreu recentemente em combate na Síria. O bebé também se vai chamar Tiago em jeito de agradecimento e para assumir a naturalidade portuguesa.

Pelo menos 13 refugiados já deixaram Guimarães

Até agora, Guimarães recebeu cidadãos vindos da Eritreia, Etiópia, Síria e República Centro Africana. Segundo a Câmara Municipal, são 43 os refugiados que foram acolhidos por este consórcio. O Duas Caras ainda não conseguiu, depois de várias tentativas, confirmar o número exato de refugiados que estão em Guimarães. Certo é que pelo menos 13 pessoas acolhidas em Guimarães já se ausentaram do país. Nota para o facto destas pessoas quando decidem partir perdem o estatuto de refugiado e o apoio que tinham ao abrigo do protocolo com o Estado Português e a União Europeia.

Esta iniciativa decorre no âmbito do “Guimarães Acolhe”, formalizado no dia 16 de março de 2016. O acordo, recorda o município, surgiu do imperativo humanitário sentido pela autarquia e pelas 17 instituições que subscreveram este Plano em responder ao apelo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e do governo português para prover o acolhimento de pessoas com necessidade de proteção internacional.