Os “meus” líderes

Fruto de quarenta e dois anos de militância mais ou menos activa, conforme as circunstâncias, no PSD posso dizer que conheci pessoalmente quase todos os líderes do partido, embora com uma proximidade e um conhecimento substancialmente diferentes entre uns e outros.

A uns, conheci de passagem, a outros, limitei-me a cumprimentos de circunstância. Com alguns trabalhei de muito perto, antes e durante a liderança. Com um, antes, durante e depois e, com outro, apenas depois.

Enfim, há para todos os gostos, como se costuma dizer.

E  essa larga experiência permitiu , entre outras coisas, apreender as melhores características de cada um (sem deixar de aprender também com os defeitos) construir a imagem do que deve ser um líder partidário a nível nacional mas também distrital e concelhio.

Porque um líder tem de ser um líder independentemente do universo que quer liderar.

Conheci Francisco Sá Carneiro.

A quem tive o gosto de cumprimentar antes do primeiro comício do PPD em Guimarães, na única vez em que estive pessoalmente com ele. Para mim, como para tantos, o melhor líder que o PSD teve pelas imensas qualidades que o definiam.

Coragem, visão do futuro, sentido de Estado, patriotismo, pensamento político, determinação e autenticidade.

Não conheço Pinto Balsemão.

Com quem não me lembro, sequer, de alguma vez ter trocado um cumprimento de circunstância.

Vi-o,ao longe, nalguns congresso e nada mais.

Não conheci Sousa Franco, Menéres Pimentel e de Rui Machete lembro dois ou três cumprimentos de circunstância. Mas também foram três líderes episódicos e dos quais não reza a História do PSD.

Conheci Emídio Guerreiro muitos anos depois de ter episodicamente passado pela liderança do PSD.

E das duas ou três conversas que com ele tive ficou a pena, imensa, de não o ter conhecido mais cedo e com ele não ter tido oportunidade de conversar muito mais vezes porque era uma personalidade marcante e a memória viva de anos extraordinários da política portuguesa e europeia.

Dele, nessas conversas, apreendi um enorme gosto pela vida e uma ética de fazer política que não esqueço.

Mota Pinto foi meu professor em Coimbra (embora desse poucas aulas) e é a memória pessoal que dele tenho porque no partido recordo apenas os congressos de Montechoro, em que o apoiei , e de Braga, em que apoiei Marcelo já desiludido com o seu percurso político no governo do Bloco Central.

A imagem que guardo de Mota Pinto é a de um patriota.

Conheço Aníbal Cavaco Silva embora sem qualquer proximidade com ele. Fui, até, seu mandatário em Guimarães nas presidenciais de 1996 e essa deve ter sido a única altura em que tive oportunidade de com ele conversar para lá de cumprimentos de circunstância.

Nele apreciei a competência, o enorme sentido de Estado, a seriedade e a capacidade de fazer.

Conheci, dos tais cumprimentos de circunstância , Fernando Nogueira que liderou o partido no difícil pós cavaquismo.

Um homem profundamente sério, com valores e convicções, que honrava a palavra dada.

Foi pena ter abandonado a política tão prematuramente porque para homens como ele há sempre lugar.

Conheço Marcelo Rebelo de Sousa.

Todo um personagem.

Durante muitos anos quando nos encontrávamos se havia assunto que não escapava à conversa era… Vitória e Braga.

Um homem extremamente inteligente, de enorme cultura e um gosto pela vida que leva até aos limites, e às vezes muito para lá deles, do politicamente correcto.

Com Durão Barroso trabalhei de perto, durante quase três anos, como secretário-geral adjunto do partido e um dos responsáveis pela campanha autárquica de 2001. Com ele fiz milhares de quilómetros de carro por todo o país e tive oportunidade de o conhecer bastante bem.

Inteligente, determinado, capaz de planear o futuro a larga distância transmitia a sensação verdadeira de que sabia sempre o que queria para o presente e para o futuro.

Conheço e tenho muito gosto em ser amigo de Pedro Santana Lopes.

Conhecia-o do partido há muito tempo, chegamos a ser colegas no parlamento, trabalhei com ele de perto na sua candidatura à liderança em 2008.

Tem um enorme carisma pessoal, uma inteligência emocional invulgar, um discurso acutilante e apelativo.

Dele ainda espero muito. No PSD e no país.

Conheço Luís Marques Mendes há mais de quarenta anos do tempo em que fomos colegas no Liceu de Guimarães. Foi um líder empenhado, insistente e extremamente “profissional”. Não conheço mais nenhum que ao longo da sua vida política tenha dado tantas voltas a Portugal como Marques Mendes.

Luís Filipe Menezes foi de todos aquele com que trabalhei de mais perto e durante mais tempo.

Durante seus anos, entre 2005 e 2011, mas especialmente nos quatro primeiros vivi com ele alguns dos tempos mais interessantes da minha vida política que foram simultaneamente tempos marcantes no PSD.

Foi um extraordinário presidente de câmara, com uma obra que a História reconhecerá, e o único candidato à liderança que ganhou o partido contra o líder em funções.

Dele guardo algumas qualidades de que saliento a visão estratégica (que permitiu mudar radicalmente Gaia), a inteligência,uma enorme cultura e uma capacidade de superação que lhe permitiu várias vezes, e em situações tão diversas quanto difíceis, dar a volta a “textos” que pareciam perdidos.

Manuela Ferreira Leite de quem fui colega no parlamento durante anos foi líder sem vontade e sem vocação para o cargo. Dela guardo, e já não é pouco, o ter tido razão antes do tempo quanto à tragédia dos governos de Sócrates.

Conheço Pedro Passos Coelho há muitos anos.

Desde o tempo em que integrava na JSD as direcções de Pedro Pinto e de pois Carlos Coelho.

Creio que as suas características mais marcantes são a coragem, o patriotismo, o sentido de Estado e uma ligeira propensão para a teimosia que quando não exagerada lhe permite levar avante as suas ideias e a sua razão mesmo quando parece não as ter mas…tem.

São estas de forma geral, e muito concisa, as características de liderança que mais apreciei nos líderes que conheci, melhor ou pior, no PSD ao longo dos anos.

Agora que estamos em pré campanha para as eleições autárquicas, nas quais Guimarães vai escolher o seu Líder para os próximos quatro anos, gostava bem que o próximo presidente de câmara reunisse nele a autenticidade de Sá Carneiro, a ética de Emídio Guerreiro, a competência de Cavaco Silva, a inteligência de Marcelo, a honradez de Fernando Nogueira, a determinação de Durão Barroso, o carisma de Pedro Santana Lopes, o profissionalismo de Marques Mendes, a visão estratégica de Luís Filipe Menezes, a capacidade de previsão de Manuela Ferreira Leite e a ligeira teimosia de Pedro Passos Coelho naquilo que vale a pena ser teimoso e persistente.

Creio reconhecer em André Coelho Lima, ressalvadas as distâncias e as diferenças de personalidade, algumas destas qualidades fundamentais de liderança que atrás enunciei.

E por isso espero, e dentro das minhas modestas possibilidades tudo farei para que isso aconteça, que ele seja o próximo presidente da Câmara Municipal de Guimarães.

Porque a nossa Terra precisa de um líder.

E ele tem as qualidades necessárias para o ser.

É ,aliás, o único dos candidatos que as tem!

Luís Cirilo Carvalho, 57 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico