Trabalhadores da Mafil reivindicam aumento de salários

A Mafil foi a única empresa vimaranense visada na manifestação do 1.º de Maio, que decorreu ontem, no largo do Toural. A União de Sindicatos dos Trabalhadores do Distrito de Braga concentrou-se em Guimarães e houve tempo para um concerto, discursos e uma passeata pelas ruas da cidade.

O delegado sindical dos trabalhadores daquela cutelaria diz que os salários não são atualizados desde 2004, à parte das revisões feitas por via do aumento do salário mínimo nacional. Foi a partir dessa data que a empresa começou a restruturar a dimensão da fábrica passando de 380 trabalhadores em 2004 para cerca de 30 em 2017.

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João Cunha, delegado do SITE-Norte, diz mesmo que os trabalhadores da Mafil “já nem se queixam porque já estão habituados a este tipo de tratamento”: “a administração não responde às reivindicações sindicais”, sendo que a maior luta passa pelo aumento dos salários. “Em tempos, a Mafil era a cutelaria que pagava melhor. Hoje ganha-se apenas o salário mínimo nacional (SMN), sendo que desde 2004 que os vencimentos não são atualizados. Só aumentam por força da atualização do SMN”, aponta.

Acrescenta ainda que em média, os colegas das outras metalúrgicas ganham entre 600 e 640 euros. “Uma diferença considerável”, considera, denunciando situações de “famílias que se desintegraram por força da emigração, face aos baixos salários”, e “de trabalhadores que não conseguem suportar isoladamente um agregado familiar, recorrendo a terceiros para sobreviver”.

CGTP marca dia nacional de luta

Durante os discursos do 1.º de maio, destaque para a convocação de um “dia nacional de luta”, agendado para 03 de junho, um sábado. A ocasião servirá para reivindicar: o aumento geral dos salários, incluindo o salario mínimo nacional; a revogação das normas gravosas da legislação laboral, nomeadamente da caducidade; a reintrodução do princípio do tratamento mais favorável e da renovação automática das convenções; o combate à precariedade e que a cada posto de trabalho permanente corresponda um contato de trabalho efetivo; a reposição do vínculo por nomeação e desbloqueamento das carreiras na administração pública; contra a desregulação dos horários e pelas 35 horas de trabalho semanal para todos; e a reposição dos 65 anos como idade legal de reforma e o acesso à reforma, sem penalizações, ao fim de 40 anos de descontos.

glorinha