Animais nossos amigos?

Os Centros de Recolha Oficiais de animais, mais conhecidos como canis/gatis municipais, estão no centro das atenções. A nova lei 27/2016 trouxe para os nossos dias a discussão sobre o seu funcionamento.

Cada qual tem a sua visão de como deveriam funcionar estes espaços, mas o que todos devemos ter em atenção é que a mudança de lei tem como principal objectivo melhorar o seu funcionamento e um maior respeito pelos animais abandonados.

A nova lei proíbe a eutanásia nos CRO de animais saudáveis e com condições para serem adoptados. No passado recente os animais eram abatidos não só porque estavam com doenças ou podiam prejudicar os seres humanos com um comportamento mais selvático, mas também porque os CRO não tinham capacidade para os albergar.

Hoje o que se pretende é que a esterilização seja usada para controlo da população  de cães ou de gatos, com a contratação de técnicos para as efectuar em condições e que os espaços físicos dos CRO sejam aumentados para receberem mais animais errantes.

No entanto, também se espera que os municípios repensem a forma como tratam os animais, não se limitando a alimentá-los,  num espaço fechado. É urgente repensar políticas de adopção, e envolver as juntas de freguesia no processo de sensibilização das populações. É urgente mudar mentalidades e entendermos que um animal de estimação pode retribuir o carinho e atenção que lhe dedicamos. Que um animal de estimação pode ser um estímulo para o desenvolvimento das crianças e uma companhia para os mais idosos.

E é ainda mais urgente consciencializar a população que um animal não é uma coisa, também tem dores e deve ser respeitado. Comprar animais a preços exorbitantes só porque é moda não nos torna mais”amantes” dos animais do que aqueles que optam por adoptar um animal do CRO.

Até porque muitas vezes esses animais que são vendidos ao preço do ouro, acabam abandonados nos CRO e aí são dados para adopção. É também necessário dotar os CRO de funcionários ou voluntários que expliquem ao adoptante quais os seus deveres, quais as implicações de se adoptar um animal e até os custos com a sua saúde e alimentação.

As leis são alteradas e sofrem evolução porque as populações tendem a evoluir na forma como encaram as necessidades do dia-a-dia e as mudanças de comportamentos.  A tendência só pode ser a do maior respeito pelo espaço de todos os elementos da natureza.

Respeitar os espaços verdes, construí-los, reconstruí-los, voltar às espécies autóctones e respeitar os animais na sua diversidade e nas suas características. Se um dia o cão serviu para o pastoreio, hoje serve para fazer companhia. Se um dia os gatos foram mais vadios, hoje já são facilmente domesticados. Mudanças essas em parte provocadas pelo Homem, cabendo-lhe agora respeitar o animal na sua essência.

As mudanças nunca agradam a Gregos e a Troianos e muitas vozes se levantam contra as alterações efectuadas na lei, mas muitas mais sabem que são pequenos passos para que se desenvolvam novas práticas.

Todos temos que fazer a nossa parte e não devemos esperar que uma lei indique o que devemos ou não fazer com os animais que vão encher os CRO porque não vão ser abatidos. Arregaçar as mangas e exigir que o município faça mais do que recolher os animais é o contributo que todos podemos dar.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.