O piquenique na Penha

Do centro da cidade conseguimos ver a grandiosidade da montanha da Penha e ficar maravilhados com a sua imensidão, conseguimos esse espanto mesmo olhando para ela todos os dias.

Das casas dos vimaranenses saem as lancheiras, os guarda-sóis, as mantas e as almofadas. O carro enche-se de mantimentos e material confortável para mais um dia passado junto de amigos e/ou familiares em comunhão com a natureza.

Subimos pela Costa ou por Mesão Frio com os nossos automóveis ou nas poucas camionetas que fazem a ligação da cidade à Penha. O teleférico é usado apenas “quando o rei faz anos”, é muito agradável fazer a viagem pelos ares a admirar a cidade e a apreciar a paisagem, mas fica muito caro se levarmos toda a família. Se fossem mais baratos para os locais talvez estes optassem por levar não só as bicicletas nas “cestinhas” mas também as lancheiras, as mantas e a família. Os carros ficariam estacionados nos parques gratuitos na envolvente do teleférico e haveria menos poluição no “pulmão de Guimarães”.

Chegados ao local mais fresco com mesas e bancos de pedra suficientes para todos monta-se o espaço meticulosamente. Os alimentos no local mais fresco, as mantas no chão mais fofo, as mesas com as toalhas de pano e está na hora das caminhadas entre os penedos, as escadinhas, as vistas para a cidade, os actos religiosos ou simplesmente desfrutar do ar puro que se respira.

Ao almoço com todos à volta da mesa discute-se a possibilidade de se construir uma nova estrada para a irem à Penha, uns são contra outros a favor, cada qual com o seu argumento. No entanto, pouco ou nada sabem de onde surgiu a ideia, o porquê de se quer construir mais um caminho de betão. Contudo todos sabem que apesar de clientes habituais deste espaço verde não serão tidos nem achados na decissão. Lá os governantes com a “faca e o queijo na mão” decidirão sem se quer se importarem com o que os habitantes pensam ou querem.

Rapidamente, se muda de assunto, mas agora alguém ouviu falar na classificação da montanha da Penha como Monumento Natural ou como Parque Natural. Alguém refere que no Gerês têm uma classificação desse género e receiam que, também aqui ela traga uma série de limitações ao acesso do que é de todos por direito.

Limitações que servem, sobretudo, para preservar a riqueza de biodiversidade ali existente tão importante e que merece ser cuidada e poupada da poluição dos tubos de escape, do barulho, do pára arranca que se verifica, com intensidade, durante os fins-de-semana.

E neste belo piquenique, os vimaranenses que usufruem da natureza única da sua cidade concluem que também merecem saber porque é que a classificação como Monumento Natural não é o suficiente para aquilo que esta montanha representa e para o que dela podemos retirar.