Este não é um domingo qualquer!

Ao longo das últimas semanas muitos temas foram hipóteses para escrever para o Duas Caras e, inevitavelmente, ganhou o da mobilização dos vitorianos, vimaranenses ou não, para mais esta grande vitória que é disputar a Taça de Portugal no Jamor.

Como ouvi hoje um atleta dizer, muitos fazem uma carreira sem nunca disputar uma taça no Jamor. Só este aspeto já merece a participação e apoio dos adeptos, reconhecendo o mérito dos que o conseguiram, celebrando com eles o espetáculo desportivo que vão personificar.

É óbvio que todos os agentes desportivos querem ganhar esta taça. Vitorianos e benfiquistas, não interessa, nem muito menos a quantidade dos que torcem por cada um dos lados. O que está aqui em causa é a qualidade da festa, dos que estão no recinto e dos que fora dele, porque não há lugar para todos, também a conseguem fazer e desfrutar, em qualquer lugar onde estejam.

Não, não é uma guerra, é só uma disputa entre adversários, em que, legitimamente, ambas as partes querem ganhar. É a festa! Esta para o ser tem que ter pessoas, muita alegria, o reflexo do muito respeito pelo esforço e determinação dos que estão em campo e, destes pela paixão e dedicação dos que estão na bancada.

É também a festa do profissionalismo de muitos outros que se movimentam à volta destes eventos, todos eles imprescindíveis, mesmo não estando muitas vezes em primeiro plano são parte integrante desta grande família, que no fundo, o desporto representa.

E é neste leque alargado que não posso deixar uma nota mais negativa para alguns profissionais da comunicação social, pela forma parcial e discriminatória com que tratam os clubes, não só estes como também as diferentes modalidades.

Como vimaranense, já não tenho paciência para ouvir ou ler quem descreve a nossa cidade, e sobretudo os adeptos de um dos clubes deste concelho, como um bando de vândalos, de delinquentes para os quais são sempre poucas as forças policiais que se mobilizam, ou, os castigos que se aplicam.

As generalizações são sempre perigosas, há adeptos a quem estas qualificações infelizmente se destinam, em qualquer clube, de maior ou menor projeção. Mas não são estas minorias que definem o fenómeno desportivo. É evidente que incomodam e perturbam e que é necessário agir para que não tenham protagonismo, nem lugar no desporto. Nem tão pouco podemos deixar que se confundam as claques com essas situações pontuais. Nefastas, sem dúvida, mas como disse minoritárias.

Para além de alguns desses profissionais, com todo o respeito por aqueles que não deixaram a ética na última frequência da faculdade, o que me causa mais espanto é o espaço que um grupo sempre em crescimento, os chamados comentadores, ocupa nos canais de televisão, porque raramente acrescentam ao mundo desportivo algo de construtivo.

E o desporto é fundamental para a vida das pessoas. Continuo a acreditar que podemos viver momentos de exaltação, garanto que é uma emoção única segurar o caneco e poder dizer aos nossos netos que já o fizemos, e fanatismo é algo muito diferente.

Ser adepto é sofrer 90 minutos, celebrar a vitória quando ela acontece, nunca esquecer que chegar a disputá-la numa final de taça é uma vitória maior. Este domingo só duas equipas o conseguiram, que ganhe a melhor, que se faça a festa!

Luísa Oliveira, licenciada em Serviço Social , formadora e consultora. Presidente da Cooperativa Desincoop – Desenvolvimento Económico, Social e Cultural, CRL da qual é fundadora, iniciou  a sua intervenção politica como deputada municipal e anos mais tarde como vereadora da Câmara Municipal de Guimarães.