E porque não fazerem um mapa de ruído?

A notícia da semana é a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, declarando guerra à sustentabilidade do planeta. Os países que assinaram este acordo comprometem-se a praticar politicas de sustentabilidade que têm como objectivo travar as alterações climáticas.

Os Estados Unidos da América são um dos maiores emissores de gases com efeito de estufa, representando um total de cerca de 18% das emissões mundiais. Ora, como fomos ouvindo da boca do presidente Trump ao longo da sua campanha, para ele, as alterações climáticas são uma invenção e o Acordo de Paris só prejudica o seu país, por isso, uma das suas promessas eleitorais era “rasgar” este acordo.

Infelizmente, ainda ouvimos muita gente a afirmar que as alterações climáticas não existem, apesar de todos os dias sentirmos a falta de estações do ano ou de sentirmos na pele uma diferença brutal de temperatura de um dia para o outro.

No entanto, quando falamos de protecção do Ambiente só ouvimos falar em reciclagem do lixo, em poluição dos rios, em poluição do ar com a quantidade de automóveis que circulam sobretudo nas cidades. Contudo, raramente, ouvimos falar em poluição sonora e nas suas consequências.

A poluição sonora é uma realidade e surge das mais variadas áreas tráfego rodoviário, tráfego ferroviário e ruído industrial. Assim sendo, parece-me um pouco contraditório que a candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia não contemple um verdadeiro mapa de ruído. O último mapa de ruído que o Município de Guimarães encomendou data de 2009 e é baseado neste mapa que se está a fazer um novo mapa baseado em estatísticas.

Ora não pretendendo ser treinadora de bancada não me parece de todo o melhor caminho. Não seria mais útil e mais eficaz o Município de Guimarães voltar a encomendar um estudo que fizesse medições reais dos ruídos rodoviários, ferroviários e industriais?

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.