Oposição

É um lugar comum , mas nem por isso menos verdadeiro, dizer-se que em democracia é tão importante ter um bom governo como ter uma boa oposição porque nesse contexto quanto melhor um for melhor o outro é.

Uma boa oposição é sempre uma oposição que sabe distinguir os momentos de divergir dos momentos de convergir, que percebe que o povo deu aos outros e não a ela o poder de governar, que não se demite de ser uma alternativa responsável e por isso a cada momento apresentar as suas ideias e propostas.

No Poder Local com a sua curiosa legislação que permite que num executivo coexistam Poder e Oposição (pessoalmente discordo mas é a Lei que temos e por isso há que respeitá-la), o grau de exigência para ambas as partes é elevado porque se para uns o que está em causa é cumprir o mandato recebido do povo para aplicarem o seu programa para outros há que saber conciliar a função de serem oposição com a necessidade de se credibilizarem explicando a cada discordância como fariam diferente se fossem poder.

Em Guimarães de há muito que a alternância democrática não funciona, por vontade legítima dos eleitores, e por isso o PS governa sozinho desde 1989 enquanto PSD, CDS e CDU se limitam a ser oposição na câmara e na assembleia municipal (nesta com mais partidos que por lá têm passado desde o BE ao MPT passando pelo MRPP) esperando a hora em que os vimaranenses entendam que já basta de executivos socialistas e permitam que outras forças políticas governem o município.

Devo dizer que não enveredando, por longo e fastidioso, pelo relato do que tem sido estes vinte e oito anos de oposição me cingirei aos últimos quatro (até porque são os mais presentes na memória de todos) para dizer que os eleitores vimaranenses que não votaram PS tem boas razões para considerarem que ao entregarem o seu voto às coligações “Juntos por Guimarães” e CDU fizeram uma boa escolha porque estas souberam respeitar o voto recebido e tem sido ao longo do mandato forças de oposição responsáveis, combativas, construtivas e que tem sabido sempre distinguir aquilo em que todos tem de estar unidos daquilo em que o PS tem de ser combatido.

Direi até que o Poder teve mais sorte com a Oposição que a Oposição com o Poder porque enquanto JpG e CDU têm sabido colocar-se ao lado da Câmara naquilo que entendem como estrutural para Guimarães já esta não só nunca valorizou os contributos da Oposição como ainda chamou suas a ideias e propostas que vinham do outro lado da mesa.

É incrível mas é verdade.

De resto e para quem quiser analisar com algum distanciamento os factos concordará facilmente que em alguns momentos a Oposição soube estar à altura das suas responsabilidades e contribuiu decisivamente para que alguns assuntos viessem a ter um desfecho muito mais positivo do que aquele que se lhe podia augurar se entregue apenas à maioria socialista.

Exemplos?

Apenas alguns entre outros possíveis.

A vinda para Guimarães do instituto da Universidade das Nações Unidas, o pacto em torno da candidatura de Guimarães a “Capital Verde Europeia”, o caso da Torre da Alfândega são três exemplos em que foi decisiva a posição dos partidos da Oposição na defesa dos interesses de Guimarães.

No primeiro caso com particular responsabilidade da coligação JpG, no segundo com a união de toda a Oposição em torno da Câmara e no terceiro com o mérito a pertencer à CDU.

É esse o papel de uma Oposição responsável e não tenho dúvidas em afirmar que Guimarães tem nos seus órgãos autárquicos uma Oposição com essas características.

Mas ser Oposição é mais que isso.

E portanto, com a naturalidade própria de quem sabe o trabalho de casa que está a fazer  e no timing que apenas compete aos próprios definir,a coligação JpG (agora falo apenas desta porque é aquela que apoio e cuja estratégia conheço) está na fase seguinte do seu projecto de alternativa política e passou à apresentação de ideias para o futuro.

E dentro do seu calendário tem apresentado várias propostas que se propõe levar a cabo se merecer em 1 de Outubro o voto dos vimaranenses.

A primeira, como estarão recordados, foi para a cidade e visa através da construção de parques de estacionamento e túneis racionalizar e melhorar o trânsito na cidade a par de permitir novas zonas pedonais no centro histórico.

Depois apresentou uma proposta que visa melhorar a mobilidade no concelho com a  construção de várias vias que permitam ligar vários pontos do mesmo à cidade.

A terceira proposta, pessoalmente entendo que a mais importante até agora apresentada, visa a captação de empresas para o nosso concelho assim criando emprego, estimulando a economia local, fixando população e conservando empresas que de há muito estabelecidas em Guimarães poderiam deslocalizar-se caso não tivessem  novos espaços para a sua expansão como aconteceu, aliás, nos últimos tempos com empresas de referência.

É uma proposta para melhorar a qualidade de vida das pessoas e a competitividade do nosso concelho pelo que me parece fundamental para ajudar os eleitores a decidirem o seu voto na hora em que compararem as alternativas.

E por falar em alternativas não deixa de ser uma saudável ironia constatar que depois de três anos e tal a ouvir o PS criticar a Oposição dos JpG pelo que entendiam eles ser a falta de propostas políticas vermos agora a coligação apresentar a sua terceira proposta de fundo para os próximos quatro anos,e com reflexos muito para lá deles, enquanto ao detentor do poder não se conhece uma ideia inovadora, uma proposta devidamente fundamentada, um projecto de futuro e com futuro.

A pouco mais de três meses das eleições já os vimaranenses podem fazer uma clara distinção entre aqueles que passaram quatro anos a pensar e a trabalhar para o futuro das próximas gerações daqueles cuja única preocupação são as próximas eleições.

Agora há que traduzir isso em votos.

E através da alternância democrática dar à coligação “Juntos por Guimarães” a possibilidade de provar que é capaz de fazer mais e melhor que um PS gasto, cansado e desgastado que aposta num “vale tudo” apenas e só para manter um poder a que já não sabe o que fazer.

O povo é quem mais ordena!

Luís Cirilo Carvalho, 57 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.