O ecletismo do desporto em Guimarães

Guimarães orgulha-se de ser, legitimamente, desde há décadas a esta parte e à sua dimensão, uma das mais promissoras terras, no tocante à prática na formação desportiva em Portugal. Em 2013 assumimo-nos como Cidade Europeia do Desporto, recebendo o galardão do projeto mais bem conseguido desse ano, competindo com cerca de uma dezena de outras cidades europeias de diversos países. O trabalho compensa!

Esta nota introdutória serve apenas para situarmos aquilo que, de forma exemplar, tem sido feito ao longo de muitos anos. É tal o número de jovens praticantes, singularmente promissores, que é um orgulho para todos nós sermos reconhecidos como tal, por terceiros que connosco competem. Isto não envaidece os vários dirigentes e equipas técnicas a quem tanto se deve, antes, permite interiorizar tais elogios como incentivos justamente merecidos. O esforço que tantas e tantas agremiações desportivas estão a assumir em prol dos nossos jovens, implica este sentido reconhecimento.

A gala anual do desporto é como que o apogeu do labor, de todos quantos se devotam às várias modalidades desportivas. Nesta festa anual, percecionamos a dimensão de tão complexa organização e a qualidade de todos quantos se entregam, por carolice, a esta ingente tarefa desportiva. Só assim, os resultados aí evidenciados e distinguidos são passíveis de alcançar tal dimensão.

Se muitos dos nossos jovens que participam nesta gala, por mérito próprio, não conseguem o estrelato que as suas capacidades fazem adivinhar, é porque em Portugal não há, nem nunca houve, uma política desportiva que apoie todos quanto demonstram capacidades para ir mais longe na modalidade que praticam. A política desportiva nacional, antes deixa adivinhar que mesmo depois de uma carreira promissora, até de representação nacional, não confere ao atleta condições condignas para o seu futuro como cidadão que se preze. Face ao que alguns dos melhores dão ao seu país, não era pedir muito se o seu estatuto de cidadania fosse preservado como merecem.

Dito isto, nem por isso se sente, no seio destas nossas agremiações desportivas, o esmorecimento do seu labor. Continuam a dedicar-se de alma e coração às várias modalidades que bem praticam. Na gala do desporto recebem uma distinção, ainda que simbólica, dos seus conterrâneos que os distinguem, merecidamente, perante os seus pares.

O número de jovens promessas que praticam várias modalidades entre nós, dão-nos a certeza que, mesmo sem suportes de outra natureza, Guimarães continuará a dar cartas, cultivando o pendor atlético que nos confere um lugar de destaque, no desporto formativo do nosso país.

É com este exemplar trabalho que poderemos complementar a atividade das modalidades profissionais que têm no Vitória o seu expoente máximo e que leva o nome de Guimarães tão longe, quanto a sua dimensão desportiva.

Alguns vimaranenses de outras modalidades, que não o futebol, representaram o país e a Cidade Berço nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Destes sentimos o orgulho maior e, no seu exemplo, alimentamos a esperança de encontrar jovens sucessores que, afincadamente, se preparam para, mais tarde, ao mais alto nível, representar condignamente Guimarães.

António Magalhães, 72 anos, é presidente da Assembleia Municipal de Guimarães desde 2013. Liderou a Câmara Municipal de Guimarães entre 1990 e 2013, sempre eleito pelas listas do PS, e foi ainda deputado à Assembleia da República entre 1976 e 1987, pelo mesmo partido. Atualmente, é também membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA).