O Jornal de Notícias publicou na passada semana um conjunto de entrevistas com os candidatos à Câmara Municipal de Guimarães do PS, PSD e PCP e o resultado do “primeiro round” do debate eleitoral autárquico não podia ser mais esclarecedor.
A quatro meses das eleições autárquicas é altura de balanço de mandato e de linhas mestras de programas eleitorais. E neste capítulo Domingos Bragança ganha de goleada. O mandato que está agora a terminar foi de facto um mandato de grande investimento em todas as freguesias do concelho, em cumprimento quase completo de um programa eleitoral muito exigente. O atual presidente da Câmara dá um conjunto enorme de exemplos, para uma entrevista tão pequena.
À obra feita, Domingos Bragança junta três ideias essenciais: Continuar a investir em todo o concelho, afirmar Guimarães como uma cidade mais verde e continuar o caminho de consolidação de posição de “Cidade Europeia” no que toca à Cultura. Em suma, continuar o trabalho feito, com duas grandes bandeiras centradas no melhor que Guimarães tem para mostrar ao Mundo, valorizando o território e a qualidade de vida dos vimaranenses.
André Coelho Lima mostra, por seu lado, uma linha incoerente entre a bandeira e a execução da mesma. Depois de um mandato em que não tinha programa eleitoral para defender, o líder da coligação de direita em Guimarães tem agora três grandes propostas e um vetor. Afirma que o seu ponto central é “tornar Guimarães uma cidade para as pessoas”. O grande problema é que de todas as propostas conhecidas para o próximo mandato só há um elemento em falta em todas elas: as pessoas, os vimaranenses!
São um conjunto de obras, que transformariam Guimarães num estaleiro por muitos meses, de grande escala e megalomania, a que se soma uma política para as empresas. Grandes obras e amigo dos empresários. Faltam os vimaranenses, para quem Coelho Lima não tem propostas.
Mais: nem uma linha sobre o caminho para a cultura de Guimarães. Um ponto central da atratividade do nosso concelho e imagem de marca há muitos anos. Lembre-se que, no último mandato, Coelho Lima propunha passar o financiamento da Oficina para Juntas e Associações que assim assumiriam a programação cultural do concelho. Algo que rasgaria por completo com o caminho traçado e de sucesso que Guimarães percorreu e lhe valeu o título de Capital Europeia da Cultura. Assumo que continua a defender o mesmo, dada a ausência de novidades…
Já Torcato Ribeiro dá uma entrevista que é uma cópia exata daquilo que foi o mandato do PCP na vereação de Guimarães: acusa a Câmara de estar autista, enquanto defende como mérito seu uma obra que se vai mesmo fazer. Uma entrevista cinzenta, que à exceção do momento “Torre de Alfândega” pouco mais acrescentou à posição de vereador na Câmara Municipal de Guimarães.
Honras sejam feitas: mantém como ideia principal a mobilidade, que sempre defenderam. Junta-lhe o apoio em todas as freguesias, que, no fundo, não é um caminho alternativo, mas sim aquilo que o executivo de Domingos Bragança vem fazendo.
Em suma, de um lado Obra feita e uma visão para Guimarães e os vimaranenses. A continuidade com Domingos Bragança. Do outro, à direita, megalomania, zero sobre Cultura e zero para os vimaranenses. Mais à esquerda um cinzentismo de “momento único” que arrisca disputar mais eleitorado que aquilo que é o costume com a candidatura do Bloco de Esquerda.
A minha opção é conhecida. Comecem a pensar nas vossas escolhas.
