Quem te avisa…

“RIO DE COUROS
Rio por onde correm muitos rios.
Bem tentam os homens represar as águas, conduzi-las a estes tanques.
E conseguem, por momentos.
Que depois tudo flui. (…)”

Carlos Poças Falcão

No Largo do Cidade as obras de recuperação daquele espaço trouxeram para o cento mais um espaço que recorda a organização dos tanques da antiga fábrica de curtumes Mirandas Ferreira & Cavalho, Lda.

A exploração destes tanques onde se mergulhavam as peles para serem transformadas em couros era feita por homens que também entravam no rio para a execução de processos demorados. Neste Largo, que nos é desvendado quando descemos a Rua de Couros, encontramos num balcão a descrição deste labor ou desta relação próxima dos homens com o rio num belo poema de Carlos Poça Falcão, que cito no inicio do artigo.

O rio que aparece e desaparece por baixo das casas continua o seu caminho sem que se deixe dominar pelo homem. Por muito que a evolução se apresente nas nossas rotinas e torne alguns trabalhos rotineiros dominados pelas máquinas, o homem nunca conseguirá dominar a natureza. Essa continuará ao seu dispor mas sem se deixar dominar.

O homem pode, infelizmente, destruir a natureza. E essa destruição está aos olhos de todos, habitantes e turistas, o Rio Couros vai cinzento e cheira mal.

Na correnteza do Rio de Couros podemos imaginar as histórias do passado, as rotinas diárias de homens e de animais que para ali eram encaminhados. No entanto, também podemos ouvir a história do presente que teima em tornar-se futuro, não adianta embelezar ou preservar tornando os espaços atractivos a quem nos visita, pois o cheiro nauseabundo incomoda e demonstra desleixo por parte dos responsáveis.

Em frente aos tanques fica a Pousada da Juventude, num edifício centenário, que os turistas escolhem para pernoitar em Guimarães, um equipamento muito procurado. Por isso, não se compreende que em pleno centro da cidade, num Largo com história e com presente não seja rapidamente resolvida a questão dos esgotos.

Guimarães que se quer apresentar como uma Capital Verde merecia que os responsáveis fossem mais ágeis na resolução de um problema que está à vista de todos. Os rios correm soltos sem que se deixem refrear, mas os esgotos que são encaminhados para estas linhas de água são da responsabilidade unicamente do homem.

Dos relatórios que são apresentados, no que diz respeito, à preocupação ambiental por parte do executivo camarário até á realidade, vai uma grande distância. E como diz, repetidamente, o senhor presidente da Câmara é da responsabilidade dos cidadãos denunciarem as situações de poluição, para se poupar dinheiro na fiscalização.

Deixo aqui a denúncia, que parece já ter andado de boca em boca, o Rio de Couros cheira mal e vai cinzento.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.