Breves notas de férias

Esta é a minha única semana de descanso neste verão. O final do verão será quente em Guimarães e promete não dar descanso. Por isso, aproveito a ligeireza que estes dias me dão para, ao de leve, deixar meia-dúzia de notas de férias.

A primeira nota vai o meu destino habitual de retiro nesta semana: Paredes de Coura. Será a 25ª edição do mais emblemático festival do norte e 10 anos depois da minha primeira vez. Desta feita poderei ver em palco e na relva caras conhecidas de Guimarães. Depois da passagem dos Paraguaii pela vila em 2016, este ano será possível ver na relva os vimaranenses Captain Boy, El Rupe e This Penguin Can Fly, sendo que no último dia sobem ao palco Toulouse.

A geração de ouro da música vimaranense, como tenho feito questão de escrever por mais do que uma vez, nos palcos do meu festival de eleição. Só consigo ver uma combinação que me deixasse mais feliz: os sons do “meu” festival na “minha” cidade, longe do verão, onde a oferta musical desta dimensão já sufoca os calendários.

A segunda nota vai, precisamente, para oferta musical, mas de uma escala diferente, e ouvida no mais bonito cenário dos festivais vimaranenses. O L’Agosto teve um cartaz de excelência, contou com uma Lagosta gigante como palco de um jardim do Museu Alberto Sampaio onde passaram 7000 pessoas. Está de parabéns a Câmara de Guimarães e a Elephant Musik.

A terceira nota vai para as Gualterianas. Um programa 100% no centro da cidade, a manter os seus números mais carismáticos pela Alameda e Toural, respeitando a tradição e dando-lhe dignidade. A música ficou pela Plataforma das Artes e as diversões junto à igreja do padroeiro das festas. Organização, tradição e modernidade.

Uma palavra especial para a Casa da Marcha e as centenas de vimaranenses que se envolvem na organização destas festas. Não é só da Oficina e da Câmara Municipal que se faz a tradição. Estes apenas ajudam a manter uma tradição que é levada a cabo pelas gentes da terra.

Duas notas finais sobre política local, para referir dois momentos que me deixaram de boca aberta.

O primeiro vindo do Bloco de Esquerda. Wladimir Brito, por quem me habituei a ter a consideração que se tem por alguém com a capacidade, inteligência e urbanidade do agora Candidato à Câmara, deu um péssimo sinal sobre o que se pode esperar de si nesta campanha.

Depois de duas ou três entrevistas em que foi notória a falta de uma visão clara sobre o estado atual do concelho e o seu futuro, o advogado vimaranense junta-lhe agora uma declaração infeliz sobre a sua prioridade deste mandato. Não se pode falar de corrupção de ânimo leve e não é sério que se levantem suspeições infundadas sobre centenas de vimaranenses que dão o seu melhor na Câmara e Cooperativas Municipais. Das duas uma: ou tem algo concreto a apontar ou retira o que disse e pede desculpas públicas.

Por fim, o colonialismo parolo de André Coelho Lima. Na entrada da Autoestrada de Vila do Conde, há um cartaz de PSD e CDS (e seus parceiros de extrema direita) a desejar um bom regresso a casa. É aquela ideia de colonização da Póvoa e Vila do Conde pelos vimaranenses, que têm naqueles concelhos o seu “território” de férias. Uma forma pequena e tacanha de pensar em territórios que têm as suas especificidades e com os quais só temos vantagem em ter uma relação mais de parceria do que de “capataz”.

Pensar pequeno é isto. Achar que a dimensão de Guimarães se mede pelos limites das suas fronteiras geográficas ou pelos colonatos vimaranenses. Eu preferia pensar em que medida é que o Curtas de Vila do Conde pode interligar-se com a dinâmica cultural vimaranense.

Agora é hora de descansar. Desejo de bom descanso a quem o estiver a aproveitar!

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.