Estranho ser um Ser Estranho

São tantos os estereótipos e os clichés constantes que emperram as mudanças.

São tantos os julgamentos preconceituosos e os rótulos oportunistas que distorcem a verdade.

São tantas as situações credibilizadas pela simpatia ao invés da competência. São tantas as vezes em que a diferenciação intelectual é usada para pavoneio pessoal ao invés de ferramenta ao dispor do Planeta.

São tantas as vezes que o Homem se perde em insultos primários e devaneios semânticos inconsequentes e infantis:

– Da “esquerda” para a “direita”: – Capitalistas!

– Da “direita” para a “esquerda”: – Revolucionários!

São tantas as vezes que a opinião sábia e genuína de um indivíduo competente e sério é negligenciada tendo por base apenas a simpatia ou a antipatia que ele inspira.São tantas as vezes que a demagogia é valorizada e angaria séquitos.

São tantas as vezes que se valoriza o trabalho com base em títulos académicos e na fama advinda do acaso.

São desesperantemente tantas as vezes que o apego a tradições e crenças justifica e desculpabiliza inadvertidamente as dificuldades, como se elas fossem desígnios ou consequências de outras entidades que não o Homem.

Mas não será simplesmente a Humanidade que orienta as nossas posições e nos diferencia uns dos outros? Não será simplesmente a Humanidade a base inequívoca dos nossos comportamentos? Não será simplesmente pela benevolência, ou pela ausência dela, que ficaremos melhor ou pior?

Luís Fonseca, nascido em 1978, é Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e especialista em Psiquiatria. Exerce a sua actividade profissional em funções públicas no Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital da Senhora da Oliveira em Guimarães. Imbuído de uma veia artística ecléctica desde tenra idade, tem-se dedicado à escrita e à música, tendo já editado vários trabalhos nestas áreas (PáginaWebLuísFonseca).