Capitalizar mérito alheio

A Coligação de Direita apresentou esta semana o seu programa eleitoral para a Cultura. São 6 propostas que têm como pano de fundo a ideia da “desmunicipalização” da cultura, na sequência do mandato em que a Câmara de Guimarães mais projetos aprovou de associações e outras entidades (mais de 600 mil euros, mais de 100 projetos, mais de 40 entidades).

De entre as propostas feitas, debruço-me sobre as que dizem respeito à educação e serviço educativo. Segundo pude perceber pelas palavras do candidato do PSD/CDS/e-outros-partidos-muito-mais-à-direita, a intenção passa por promover visitas aos espaços culturais e museus, e levar o ensino das artes performativas, património e cultura para dentro das salas de aulas.

Uma excelente ideia! Tão boa… que vem do mandato que agora está a terminar. É, pois, obra da vereação socialista. Já agora, da mesma vereadora – Adelina Paula Pinto – que agora, se sabe, acumulará Educação e Cultura no próximo mandato, caso vença o PS. Facto que até gerava discórdia, mas que pelas propostas apresentadas se percebe que faz todo o sentido até para a coligação de direita.

Vamos à “Memória do Mandato”. Para informar.

Desde o ano letivo 2014/2015 existe o programa “(Re)Conhecer Guimarães” destinado a alunos do 1º e 2º ciclos. Visitas ao Castelo de Guimarães, Paço dos Duques, Centro de Ciência Viva, Centro Histórico, Citânia de Briteiros, Casa da Memória e CIAJG.

No mesmo ano, iniciou o programa “Mais Dois”, destinado aos alunos do 1º ciclo. Este projeto junta nas Atividades Extra Curriculares o ensino das Artes Performativas, ao Inglês e Atividade Física.

Mas não fica por aqui. O “Pergunta ao tempo” pega numa turma de 4º ano de cada agrupamento escolar e leva-os a recolher memórias e a reinterpretar os diversos núcleos expositivos da Casa da Memória.

No 2º ciclo faz-se desde 2016 o “Cantânia”, para meninos e meninas dos 8 aos 13 anos. Um projeto de canto participativo com espetáculo final com todas as escolas participantes.

Já agora, lembro ainda o “Projeto Lenço”, para alunos do ensino básico e secundário, que envolve investigação sobre o típico Lenço dos namorados, peça de artesanato da nossa região.

Enfim, poderia falar de tantos outros projetos feitos nas escolas de Guimarães. Mas deixo alguns exemplos claros daquilo que já é um trabalho de excelência feito nas nossas escolas e elogiado por muitos. Outros, além de não o conhecerem, pretendem apresenta-lo como ideia sua e inovadora, achando que com isso poderão capitalizar dividendos políticos e eleitorais, tirando proveito de mérito alheio.

No fundo, percebe-se agora bem porque fez parte da estratégia da coligação de direita não falar sobre o passado, durante a campanha eleitoral: Não o conhecem.

Dia 1 de Outubro, próximo domingo, os vimaranenses terão a palavra.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.