Balanço

Uma vez disputadas as eleições autárquicas é tempo de fazer um primeiro balanço aos seus resultados nacionais, distritais e no concelho de Guimarães com a preocupação de uma análise política sem perder tempo em excesso com os números.

Sendo certo que o autor destas linhas é militante do PSD, e foi candidato (eleito) à Assembleia Municipal de Guimarães, procurarei ainda assim despir tanto quanto possível o “fato” partidário em prol de analises tão objectivas quanto possível.

Começando pelo país é inequívoco que o PS obteve o seu melhor resultado de sempre conquistando o maior número de municípios e entre eles grande parte daqueles que tem maior expressão eleitoral como Lisboa, Sintra, Gaia ou Almada entre outros.

Um triunfo que deixou o PSD longe, a cerca de sessenta câmaras de distância, naquele que foi um dos piores resultados de sempre dos social democratas em eleições autárquicas há que reconhecê-lo sem problemas nem aquela aversão a reconhecer derrotas que caracterizam outras forças políticas.

Naturalmente que a responsabilidade maior da derrota cai nas distritais do partido que fizeram e/ou validaram escolhas das respectivas secções que se revelaram erradas em muitos concelhos não merecendo a confiança dos eleitores .

É certo que a moda aponta no sentido de responsabilizar Passos Coelho pela derrota mas com a excepção de Lisboa, onde a (péssima) escolha foi do líder, não creio que seja ele o responsável directo por todas as outras escolhas.

Percebo que a alguns, dentro e fora do partido, dá jeito apontar o dedo a Passos mas nem é justo nem intelectualmente sério.

O CDS “vendeu” bem os seus pequenos sucessos da noite eleitoral porque apesar de eo segundo lugar em Lisboa merecer algum relevo não me parece que passar de cinco para seis câmaras seja algo que mereça tão grandes festejos. Coisas do marketing…

A CDU teve,também ela, uma péssima noite eleitoral perdendo um terço das suas câmaras e entre elas bastiões como Almada, Barreiro e Beja sem que curiosamente ninguém ponha em causa a liderança de Jerónimo de Sousa ou a realização de congressos extraordinários!

O Bloco de Esquerda limitou-se a confirmar a sua absoluta irrelevância autárquica passando a vergonha, que ninguém admite mas nem por isso deixa de ser vergonha, de nem num único concelho do país merecer a confiança maioritária dos eleitores que não o consideram solução seja para o que for seja onde for.

Em termos de distrito de Braga o PSD obteve um enorme triunfo.

À entrada para as eleições o PSD liderava sete câmaras , tantas como o PS, mas à saída das mesmas tem nove presidências contra quatro dos socialistas e uma de uma lista de independentes naquilo que é uma vitória de enorme dimensão mas que estranhamente passou despercebida numa comunicação social apenas interessada em relevar as perdas do partido.

Nuns casos sozinho  e noutros em coligação com o CDS o PSD manteve ,como atrás disse, as sete câmaras que já detinha (em todas com maioria) e ainda tirou Amares e Terras de Bouro aos socialistas, viu-os perder Vizela para uma lista independente (maioritariamente composta por dissidente do PS) e vencerem Barcelos e Fafe sem maioria o que os porá em grandes dificuldades para governarem.

Ao PS aconteceu, como é óbvio, precisamente o contrário e sofreu uma verdadeira hecatombe eleitoral no distrito deixando-o numa situação de grande fragilidade política.

Com excepção dos seus bastiões de Guimarães ,onde renovou a maioria absoluta, e Cabeceiras de Basto onde recuperou a maioria perdida em 2013 (e onde o PSD cometeu um brutal erro político) o PS venceu sem maioria Fafe e Barcelos, perdeu Amares e Terras de Bouro para o PSD e Vizela, outrora o município mais socialista do país , para uma lista independente surgida de fractura interna do partido o que é sempre ainda mais doloroso.

Uma derrota que deixará marcas no futuro do partido no distrito.

Finalmente Guimarães.

Onde o PS renovou a maioria embora mantendo o número de vereadores, cresceu em número de votos e em deputados municipais (tirando dois à CDU) e ganhou mais freguesias à custa de JPG e CDU (que perdeu a única que tinha) embora também tenha perdido algumas para a coligação.

A coligação “Juntos por Guimarães” (JPG) foi derrotada não conseguindo um triunfo que aqui e ali,   nas previsões mais optimistas, chegou a parecer possível.

Cresceu mais de cinco mil votos ( o problema é que o PS cresceu mais de sete mil…), alcançou o quinto vereador o que é um ganho inequívoco, venceu em freguesias importantes que eram do PS como Creixomil mas perdeu freguesias igualmente importantes como Caldelas, Silvares ou Sande S. Martinho.

No balanço final a coligação ficou mais perto do PS em número de vereadores, cinco contra seis, mas mais longe em termos de votos vendo os socialistas aumentarem de dez para treze mil votos a vantagem adquirida em 2013.

A CDU , à sua escala, foi também ela uma grande derrotadas destas eleições perdendo o seu único vereador , perdendo dois deputados municipais e a sua única junta de freguesia o que tem de se considerar um muito mau resultado que fez dela a vítima maior de euma certa bipolarização destas eleições no concelho de Guimarães.

Quanto ao BE, e pese embora a indiscutível valia do seu cabeça de lista à Câmara, Guimarães limitou-se a seguir a tendência dos outros 307 concelhos do país que não veem no Bloco a solução para nada em termos de autarquias.

Em termos gerais é esta a minha primeira abordagem aos resultados autárquicos.

Noutra oportunidade terei certamente ocasião para esmiuçar os resultados em Guimarães e procurar algumas explicações para o sucedido.

Luís Cirilo Carvalho, 57 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.