Cumpriu-se a democracia

Os vimaranenses escolheram no passado domingo os seus representantes locais para os próximos 4 anos. O resultado não podia ser mais claro e inequívoco: vitória em toda a linha para o Partido Socialista e Domingos Bragança.

O PS termina estas eleições com quase mais 8000 votos, com mais 3 juntas de freguesia, com 7 das 9 vilas do concelho, com mais 2 eleitos na Assembleia Municipal – e nova maioria absoluta neste órgão – e com mais mandatos no global das Assembleias de Freguesia.

Votaram quase mais 9000 pessoas estas eleições. O que é uma vitória enorme para a democracia. E ao contrário do que fazia poder prever pelas declarações, intervenções e apelos da coligação de direita, esta ida em massa às urnas acabou por beneficiar o PS.

Há um outro dado a merecer análise: daqueles que foram às urnas em 2013, mais de 4000 anularam o seu voto (entre brancos e nulos). Em 2017, esta tendência diminui em cerca de 1200 votos. O que na minha opinião significa que mais de 1000 pessoas encontraram agora motivos para votar num dos projetos.

O PS e Domingos Bragança são assim os vencedores da noite eleitoral. Em toda a linha. Nas freguesias um destaque muito especial para Caldelas, Serzedelo e Silvares que pela sua importância assumem vitórias especiais para o PS, quando até aqui pertenciam à direita.

Nas derrotas da noite, com maior ou menor escala, estão os 3 candidatos à Câmara Municipal pela, agora novamente, oposição.

André Coelho Lima colocou toda a energia nesta campanha. Assumiu a intenção de vencer as eleições e falhou. Mas não falhou apenas isto. Permitiu ao PS recuperar a maioria absoluta na Assembleia Municipal e na Câmara viu um reforço da distância para a força mais votada.

Esta derrota tem um peso acrescido. Nos últimos dias de campanha, André Coelho Lima lançou o isco à CDU. Assumiu que se vencesse sem maioria absoluta contaria com Torcato Ribeiro para lhe validar a maioria. Conseguiu o objetivo dessa declaração. Em freguesias como Pevidém e Moreira de Cónegos há uma transferência importante de votos da CDU para o PSD. Mas é uma situação de oportunidade única de expetativa de vitória, que poderá não mais repetir-se.

Quem sofreu com isto foi Torcato Ribeiro que perde o lugar na vereação. Tinha escrito neste espaço que o mandato que fez lhe poderia valer a perda dessa posição. E digo-o com a tristeza de quem terá que se habituar a viver sem a sua voz, que fará falta à política vimaranense.

Uma última palavra para Wladimir Brito. Falar em corrupção e medo não lhe valeu de muito. Mais 500 votos para a Câmara Municipal e a contínua incapacidade de se implantarem nas freguesias.

Serão 4 anos de uma nova configuração e que terá, com certeza, também alterações dentro dos partidos que perderam. Há expetativas defraudadas no PSD que valerão reflexões e há movimentos percetíveis na CDU. Estou para ver quantas caras mudarão ao longo do mandato…

Do ponto de vista dos órgãos eleitos, a Câmara Municipal perde representatividade partidária e passará a ser um campo de batalha apenas para PSD, ficando a maior fatia de debate democrático reservado para a Assembleia Municipal onde José João Torrinha dará um belíssimo novo presidente, por todas as suas qualidades.

Cumpriu-se a democracia. Continue a cumprir-se ao longo do próximo mandato.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.