Imperialismo económico

A Humanidade tem sido pródiga em conflitos. No século XX ocorreram duas Guerras Mundiais. Na origem destes conflitos estiveram uma multiplicidade de factores, pelo que é difícil estabelecer uma explicação cabal e consensual para estas deploráveis histórias belicistas. Porém, duas causas são frequentemente referidas como estando na origem dessas guerras: o Imperialismo e o Tratado de Versalhes. De facto, o Imperialismo de países como a França e a Inglaterra, que acumularam fortunas espremendo os povos e criando políticas de exclusão estratégica, e o Tratado de Versalhes, que sancionando territorial e economicamente de forma áspera a Alemanha fez nascer um sentimento separacionista e imperialista nos alemães, criaram tensões económicas e sociais crescentes que redundaram em dois dos mais bárbaros conflitos da Humanidade.

Entretanto, sobretudo após a queda do muro de Berlim e da consolidação do projecto europeu, o mundo transformou-se radicalmente, tornando-se, globalmente, mais seguro e equilibrado do que nunca, conforme comprovam as demais estatísticas. Mas é um erro pensar que o sentimento de satisfação dos povos acompanhou esta evolução positiva e que as ideologias genocidas e desumanas, que cauterizaram milhões de indivíduos, morreram. Não. As pessoas não identificam na plenitude o sonho que lhes foi apresentado de uma Europa unida, justa e igualitária, apontam o nepotismo como o cancro do projecto europeu e sentem-se subjugadas perante um inimigo económico-financeiro esconso e difícil de combater. Um dos factos ilustrativos do sentimento de insatisfação dos povos é o apoio eleitoral ou o apego desesperado a grupos que defendem acerrimamente ideologias desumanas, julgadas, inocentemente, extintas. Mas, nunca estiveram verdadeiramente obsoletas. Permanecem antes adormecidas, aguardando pacientemente pelas condições propícias para germinarem…

Assim, actualmente, não estaremos a assistir a uma nova forma de Imperialismo que se instalou insidiosamente? Um Imperialismo económico, manietado pelo nepotismo, devassador da igualdade permitida pela dicotomia humana, disseminador da insegurança, promotor do egoísmo e instigador de sentimentos segregacionistas que poderão redundar na mais temível desagregação de todas: a da solidariedade e respeito entre os povos.

Luís Fonseca, nascido em 1978, é Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e especialista em Psiquiatria. Exerce a sua actividade profissional em funções públicas no Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital da Senhora da Oliveira em Guimarães. Imbuído de uma veia artística ecléctica desde tenra idade, tem-se dedicado à escrita e à música, tendo já editado vários trabalhos nestas áreas (PáginaWebLuísFonseca).