Guimarães – O Futuro

Contados os votos, apurados vencedores e vencidos, sabedores de quem são os eleitos que vão protagonizar o próximo ciclo autárquico no nosso concelho é tempo de deixar algumas reflexões quanto ao futuro.

Partindo da evidente constatação de que a política vimaranense se bipolarizou entre Partido Socialista e Coligação Juntos por  Guimarães, desaparecendo a CDU do mapa camarário (creio que pela primeira vez desde 1976) e não saindo o Bloco de Esquerda da irrelevância autárquica que é uma das suas imagens de marca desde sempre.

E a bipolarização entre as duas forças é de tal ordem que contribuiu para que Guimarães fosse o concelho do distrito em que houve mais votantes (96.147 num universo de 144.092 inscritos) deixando atrás de si o concelho mais populoso do distrito-Braga- onde votaram 94.308 eleitores num universo de 163.633 inscritos.

Esse fenómeno da concentração de votos nas duas principais forças políticas teve o efeito colateral, como atrás referido, de fazer a CDU perder o seu único vereador, a última junta de freguesia a que presidia – Gondar – e dois deputados municipais ficando reduzida à sua menor representação de sempre em termos de orgãos autárquicos.

Certamente que por efeito da bipolarização mas também não faltará pelos lados do PCP e de “Os Verdes” quem comece a olhar de canto para os efeitos da geringonça que, contudo, não são tema para ser tratado neste artigo.

Falemos então do futuro na perspectiva da Coligação Juntos por Guimarães.

Privilegiando um olhar na óptica do PSD – porque não sei se a coligação, neste momento em que escrevo, vai funcionar como tal nos próximos quatro anos e mesmo que funcione seguramente que na assembleia municipal serão constituídos diferentes grupos parlamentares tal como aconteceu entre 2013 e 2017.

Na teoria do copo meio cheio, os resultados foram bons porque a coligação cresceu em expressão eleitoral e em número de vereadores tal como na teoria do copo meio vazio os resultados foram maus porque não se ganhou e ainda se perderam presidências de juntas de freguesia.

Não vou por nenhuma delas.

Friamente considero que, pese embora a desilusão de não se ter ganho, quando se chegou a ver essa possibilidade como… possível, há que olhar para estes resultados com moderado optimismo e considerar que a com base neles há… caminho!

Em primeiro lugar porque a bipolarização eleitoral, consubstanciada num resultado de seis vereadores socialistas e cinco da oposição, é favorável a quem estando na oposição ambiciona ser poder porque concentra os descontentes e os descontentamentos.

Em segundo lugar, porque embora à custa da CDU, a verdade é que a coligação foi a única a crescer em número de vereadores alcançando o quinto e desmentindo rotundamente algumas sondagens insistentemente publicadas que davam o sétimo vereador ao PS. E essa subida no número de vereadores deu-se na sequência da conquista de mais 5.200 votos.

Nunca em vinte e oito anos uma única força da oposição tinha ficado colada ao PS neste índice de número de vereadores, é bom recordá-lo.

Em terceiro lugar, porque em termos de Assembleia Municipal a coligação conseguiu manter os seus dezanove deputados e registando, mesmo assim, uma subida na votação na ordem dos 4.700 votos o que tem de se considerar como positivo.

Em quarto lugar há caminho porque, entre outras razões, a coligação trouxe para a política um pouco por todo o concelho gente de valor, gente de convicções, que pela primeira vez se envolveu em actividades políticas e que estou certo que veio para ficar e dar um importante contributo em desafios futuros.

Bastará atentar nas enormes subidas de votações da coligação em freguesias que tradicionalmente eram de esmagadora maioria PS mas deixaram de o ser.

Ao dizer isto não ignoro, nem seria sério fazê-lo, aquilo que não correu bem.

A subida eleitoral do PS que, em termos de câmara, teve quase 8.000 votos a mais, que na assembleia municipal ganhou dois deputados à custa da CDU ( a coligação de esquerda foi o verdadeiro “bombo de festa” destas eleições perdendo um vereador para JpG e dois deputados para os socialistas) e que nas freguesias também conquistou mais presidências retirando-as à coligação e à CDU.

Embora nisto de freguesias as “contabilidades” sejam difíceis de fazer porque se em números brutos o PS tem mais três presidências, e isso é inegável, depois há as perdas e ganhos com maior ou menor significado como são os casos de Caldelas, ganha pelo PS, e Creixomil ganha pela coligação.

Para já não falarmos de duas freguesias cuja perda pela coligação se deve apenas e só a factores de que a ética, a lealdade e a palavra honrada estiveram totalmente ausentes.

Dito isto, e ponderados os resultados freguesia a freguesia e no todo do concelho, creio que há razões para olhar o futuro com optimismo.

Não se ganharam as eleições mas ganhou-se terreno, em vários âmbitos, e a coligação é agora credora da confiança de quase 40.000 vimaranenses o que é extremamente significativo e constitui uma sólida base para continuar a construção de uma alternativa ganhadora.

É verdade que a diferença, em termos de votos para a câmara, é agora de 13.087 favorável ao PS e esse é um dado incontornável.

Mas nada que com estratégia, trabalho e liderança não se consiga ultrapassar.

Liderança?

Seria mais fácil não abordar essa questão agora mas vou fazê-lo.

Ressalvando uma ponderação familiar e profissional que apenas o próprio pode fazer, e na qual ninguém que não os directamente interessados deve intervir, creio que o André Coelho Lima reúne todas as condições para continuar a liderar a coligação e ser o seu candidato em 2021 numa óptica de vencer as autárquicas desse ano.

Não é preciso ir muito longe, para norte ou para leste, para encontrar exemplos de autarcas que perderam duas vezes antes de à terceira saírem vencedores.

Casos em que a persistência compensou.

Como, acredito,também compensará em Guimarães.

Luís Cirilo Carvalho, 57 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.