Novo tempo da política vimaranense

Começou um novo tempo da política em Guimarães. Passou o período eleitoral onde tantos ânimos se exaltam, facetas populistas se revelam e (já agora) as propostas políticas para o futuro do concelho são colocadas à consideração dos vimaranenses.

O resultado foi claro e Domingos Bragança é hoje um Presidente da Câmara reforçado. É, novamente, o presidente de todos os vimaranenses. Sem sombras. Nem da oposição, nem do passado. O resultado reforçado assim o permite concluir.

É, assim, tempo de olhar para os quatro anos que se seguem. Para os seus desafios e para a forma de abordar os mesmos.

Este tempo eleitoral abriu a discussão à cidade e ao concelho de uma forma mais abrangente que o normal. Tantos que nos restantes quatro anos muitas vezes se demitem desta discussão envolvem-se e apaixonam-se. Manter este nível de atenção e participação dos cidadãos é um desafio do dia seguinte. Um desafio que não começa, nem termina, no poder municipal, mas passa por cada um de nós e para o qual os órgãos eleitos apenas podem acrescentar um contributo.

Para os próximos anos, não só para estes quatro, Guimarães tem um conjunto de desafios pela frente que terá que saber enfrentar, antever e ultrapassar.

No imediato, destaco a questão da habitação e os transportes. Os preços da habitação (principalmente) no centro da cidade estão a níveis pouco compatíveis com os salários médios dos trabalhadores vimaranenses e a convidarem à desertificação ou à ocupação pelo turismo.

Do programa eleitoral vencedor das últimas eleições ficam algumas marcas de esperança no que toca à construção de habitação a custos controlados.

Do ponto de vista dos transportes, este foi um dos temas da campanha e é por demais evidente que por ele – e de uma forma mais abrangente pela mobilidade – que passam os maiores desafios do futuro do concelho.

Com a constituição da autoridade municipal de transportes e com a revisão da concessão dos transportes públicos para o final deste mandato, será possível encontrar outras soluções que deem uma resposta condigna. Do programa eleitoral do PS – e agora de governação – fica a promessa clara de base: transportes públicos em todas as freguesias.

Na preparação do futuro Guimarães tem ainda dois desafios globais: saber manter a qualidade do passado e prever o futuro.

A manutenção da Cultura como eixo fundamental das políticas públicas, o apoio à prática desportiva e a promoção de estilos de vida saudáveis, a prioridade ao emprego e à atração de empresas para o concelho e ação preventiva e emergência aos mais desfavorecidos, são apostas ganhas do passado e que devem ser alvo de continuidade com permanente desafio.

Prever o futuro passa essencialmente por estar presente nas discussões sobre as apostas globais para as próximas décadas e pela definição de prioridades alinhadas com a agenda europeia. Cidades inteligentes na gestão e na informação para a tomada de decisão e a abertura às novas tecnologias no contacto com o cidadão.

Prever o futuro passa, também, pela prioridade definida no início do último mandato no desígnio de ser Capital Verde Europeia mas, mais do que o título, percorrer este caminho da sustentabilidade ambiental.

É por aqui que passa o presente e o futuro. De Guimarães e do Mundo. O executivo municipal está reforçado na sua legitimidade para tomar opções que defendam os interesses dos vimaranenses.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.