Por onde começar? Por cada um de nós, por todos nós

Desde há sete anos que centenas de organizações, por todo o país, assumem o lema igualdade é desenvolvimento neste mês que convida à melancolia, o que nos obriga a refletir que não podemos adiar o compromisso que cada um de nós enquanto cidadão ou, enquanto organização, deve assumir com o seu próprio território.

Atravessar todo o norte do país com colunas de fumo, que tapam o sol e tornam o ar irrespirável, remete-nos para as desigualdades territoriais, para a negligência, para a incapacidade de se fazer um balanço entre as muitas prioridades que recheiam as nossas vidas e, para a nossa incompetência, enquanto povo, de ter um pensamento a médio e longo prazo e uma ação que se correlacione com ele.

E por isso, é preciso reagir. Ninguém pode ficar de fora nesta luta para inverter o envelhecimento da população, para fidelizar as populações aos seus territórios, motivar os jovens para investirem o seu futuro no seu país.

Estas frentes exigem diferentes estratégias que devem ser coordenadas, que apelam a novos modelos de gestão.

A tendência para pensarmos que esta responsabilidade só diz respeito aos governantes é uma forma ligeira de nos abstermos da construção do nosso próprio futuro. Não podem ser proteladas as mudanças culturais facilitadoras do aparecimento de novas lideranças, envolvidas de valores éticos e de solidariedade com as necessidades identificadas em cada território e, que muitas vezes, implicam uma intervenção fora do que foi considerado tradicionalmente normal na nossa esfera de ação, implicam criatividade e investimento.

As empresas locais, independentemente da sua dimensão, são motores deste processo de integração das diferentes dimensões e necessidades dos cidadãos. A sua missão vai muito além de favorecer a criação de emprego, é importante que esse emprego seja de qualidade, quer em termos de segurança, remuneração e possibilidade de progressão. Os profissionais que são permanentemente motivados não só produzem mais como se envolvem mais. Os gestores devem ter desta forma uma responsabilidade acrescida, uma atenção redobrada com as necessidades individuais, daqueles que contribuem para o sucesso da empresa e do território onde estão localizados.

Para além das aparências precisamos de condições reais de bem-estar individual e coletivo, em qualquer parte do território onde se escolha viver. Não podemos continuar a aceitar passivamente que haja territórios e cidadãos esquecidos, nem pessoas sem voz. As desigualdades que os estudos internacionais evidenciam não podem ser ignoradas. As desigualdades de género ocupam um lugar que nos deve envergonhar, a conciliação entre a vida familiar e o trabalho está longe de muitas metas que os esforços legislativos queriam cumprir, as famílias nas suas mais diferentes formas não são o porto de abrigo e de segurança, o imediato e o virtual inundaram as nossas vidas.

É urgente inverter todas estas tendências.

Essa tarefa começa em cada um de nós, cabe-nos denunciar, sugerir soluções, acompanhar e fazer cumprir quer seja nos órgãos autárquicos, nos sindicatos, nas empresas, nas associações, nas escolas.

Não faltam espaços para fazermos a mudança acontecer. O exercício da nossa cidadania é uma tarefa constante, cabe-nos descobrir o que temos para dar.

Luísa Oliveira, licenciada em Serviço Social , formadora e consultora. Presidente da Cooperativa Desincoop – Desenvolvimento Económico, Social e Cultural, CRL da qual é fundadora, iniciou  a sua intervenção politica como deputada municipal e anos mais tarde como vereadora da Câmara Municipal de Guimarães.