Nova Assembleia Municipal

Estão instalados os órgãos autárquicos para o quadriénio 2017-2021. Câmara Municipal, Presidentes da Junta e Assembleia Municipal. É uma formalidade, mas que marca o início da atividade autárquica, após ratificação dos resultados.

Na próxima semana, sexta-feira, tem lugar a primeira sessão da Assembleia Municipal de Guimarães e é sobre este órgão que residem algumas das novidades trazidas pelas novas configurações eleitorais que serão interessantes de acompanhar.

Desde logo na sua Presidência. António Magalhães, que este fim-de-semana fez um último e emocionante discurso como titular de um cargo público, deixa a presidência da Assembleia. É um fechar de ciclo que nos enche a todos de orgulho, por tudo o que representou enquanto Presidente da Câmara e, nos últimos quatro anos, como responsável máximo do órgão fiscalizador da ação política local.

Nesta primeira sessão do novo mandato, será votado o novo presidente, que terá a tarefa e a responsabilidade de suceder a uma figura maior da democracia local. O Partido Socialista apresentará José João Torrinha como candidato ao lugar. E melhor entregue não poderia ficar. É alguém que, pelas suas qualidades pessoais e profissionais, encerra em si uma abordagem dialogante com todas as forças políticas, capaz de consensos e de um distanciamento suficiente para decidir sempre em favor da democracia e do melhor funcionamento neste órgão.

Depois, a oposição. O PSD perdeu representatividade naquele órgão. Não pela forma direta, onde mantém 19 eleitos, mas pela perda de mandatos na presidência de juntas de freguesia. Fico expectante quanto à configuração das bancadas, pensando que se pode repetir a divisão em três partes como no último mandato – dado que Carmo Oliveira do MPT voltou a conseguir a eleição – mas que pode chegar a quatro, dado que há um novo eleito do Partido Popular Monárquico.

Mas não só de matemática se faz a análise do próximo mandato do PSD/CDS. Fico expetante quanto à composição final, às presenças em cada reunião, à liderança e ao estilo.

À composição final porque José Pedro Aguiar Branco nem durante a campanha em que era cabeça de lista a este órgão deu muito o ar de sua graça.

Às presenças nas reuniões porque muitas foram as vezes ao longo do último mandato em que os pedidos de substituição se acumularam e há caras que poucas vezes as vimos.

À liderança porque César Teixeira foi substituído por Daniel Rodrigues na fase final do mandato anterior e porque Nuno Vieira e Brito e Orlando Coutinho não foram candidatos pelo CDS desta vez.

E por fim ao estilo. Depois de umas eleições em que a coligação de direita usou todas as suas cartas e viu o PS fugir-lhe em número de votos, pressinto que a abordagem institucionalista e presidencial vai sair de cena e vamos regressar a um registo mais truculento. Oxalá esteja enganado. As conclusões internas do PSD e CDS também ajudarão a perceber melhor a estratégia de futuro…

Na oposição à esquerda, uma lamentação e uma novidade. A lamentação é pela perda de representatividade da CDU. Felizmente, ficam três dos seus elementos mais interventivos e, pela prática conhecida da coligação, teremos oportunidade de voltar a ver outras caras de quando em vez. A novidade é na alteração do rosto do Bloco de Esquerda com a inclusão de Sónia Ribeiro no lugar de Joaquim Teixeira (e que saudades vai deixar).

Sobre a composição da lista eleita do PS abstenho-me de grandes comentários por ser parte integrante da mesma, mas, de uma forma genérica, arrisco-me a dizer que é das melhores e mais diversas de que tenho memória.  Quatro ex-vereadores, um ex-dirigente nacional do PS, dois deputados da Assembleia da República, ex-autarcas locais a que se juntam a novidades independentes das áreas do desporto, ambiente, educação e área social.

É um mandato que promete.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.