Guimarães, Hoje, visto de fora

Nota: No texto desta semana impõe-se um ponto prévio de declaração de interesses. Na passada semana assumi funções na Câmara Municipal de Guimarães enquanto adjunto da Vice-Presidente Adelina Pinto, que lhe tem acometidos, entre outros, os pelouros da Educação e Cultura. As minhas responsabilidades passarão, essencialmente, pela Cultura.

Este é um lugar de nomeação política sem poder executivo conferido pelo voto popular e de apoio ao Gabinete da Vereação. De qualquer das formas, parece-me avisado que essa informação seja clara. Hoje, como sempre, as opiniões neste espaço são da minha autoria e total responsabilidade. Falo apenas em nome próprio e não na posição de qualquer lugar que ocupe.

O programa Prós e Contras, da RTP, escolheu Guimarães para o seu 15º aniversário. Numa sessão que vi em diferido, dedicou-se ao tema “Portugal, Hoje, visto de fora”.

Esta temática fez-me refletir sobre a “Guimarães, hoje, vista de fora”. A que é vista e a que de facto é. Mais do que a cidade e o concelho que temos, ou gostávamos de ter – sobre o qual já me debrucei diversas vezes – aquele que gostávamos que fosse percecionado visto de fora. Não de um ponto de vista de “propaganda” mas das suas marcas mais fortes.

Indiscutivelmente, a nossa cidade e o nosso concelho destacam-se pela sua história e pelo património natural. Este é, provavelmente, o principal fator distintivo que salta à cabeça de alguém que pensa em Guimarães, não sendo ou vivendo cá.

A esta ideia estão associados o Centro Histórico, o Castelo de Guimarães e o Paço dos Duques, principalmente desde o reconhecimento da UNESCO enquanto património da humanidade.

Para além desta imagem, 2012 trouxe uma nova tónica à imagem de Guimarães, tornando nacional e internacional a ideia de que o concelho tem uma atenção muito especial com a área da Cultura. Não apenas o Município, mas as suas pessoas e as suas associações. Esta é uma marca que não é apenas responsabilidade de executivos camarários, mas remonta a uma tradição associativa de construção de uma marca identitária forte na área cultural.

Esta marca tem vindo a ser desenvolvida, não apenas por associações como por privados e particulares, que têm acrescentado uma tónica, acompanhada pelos órgãos autárquicas, de criação própria.

Nestas duas marcas, penso que o trabalho passa apenas pela manutenção dos patamares de exigência prosseguidos até à data de hoje, para que dele não se desliguem os que olham para Guimarães.

Do ponto de vista das prioridades políticas, foi incluído na agenda a prioridade de desenvolvimento de um concelho ambientalmente sustentável e resiliente, com a candidatura a Capital Verde Europeia entregue no mês passado. Esta é, sem sombra de dúvidas, uma marca que pode diferenciar Guimarães, principalmente do ponto de vista de quem a procure para viver.

Por outro lado, a instalação do centro europeu de Excelência em Medicina Regenerativa e de Precisão no Avepark colocará Guimarães também no centro das prioridades de investigadores e da comunidade académica, especialmente nestas áreas.

Estas são prioridades que se tornarão a breve prazo marcas identitárias de Guimarães, para quem a vê de fora, não tenho dúvidas. Desde que todos sejamos capazes de transmitir com eficácia aquilo que por cá se vai fazendo como um todo.

Para quem cá vive, esta é a cidade que, mais do que assim vista de fora, é e será realidade. Uma cidade cosmopolita, rejuvenescida, com criadores e investigadores, com consciência ambiental e que preservam e habitam uma cidade patrimonial conservada.

A “cola” para que perdurem estas quatro ideias para futuro, são as prioridades do próximo mandato de que falava há umas semanas: mobilidade, emprego e habitação. A soma destes vetores será a resposta para o desafio lançado pelo Presidente da Câmara no seu discurso de tomada de posse na prioridade definida para a Juventude.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.