Reflexões à direita

Numa das primeiras crónicas no pós-eleições de 1 outubro, debrucei-me sobre a nova composição da Assembleia Municipal. Mais do que pensar na composição daquele órgão, pretendia antecipar o que poderiam ser os posicionamentos táticos das diferentes forças políticas no que ao futuro diz respeito.

Quem me conhece, sabe que não gosto de me debruçar sobre a vida interna de partidos que não são o meu. Mas quando o futuro desses partidos pode passar por opções, mais do que as nominais, as tática e formalmente comprometedoras da qualidade da democracia local, tenho que refletir sobre o assunto. Até porque a política e a democracia se regem muito, também, pela qualidade das oposições.

Passado sensivelmente um mês daquele texto, volto hoje ao tema. Passado menos de um mês das eleições autárquicas há já três dados novos que ajudam a antecipar algum futuro, principalmente no que diz respeito à oposição de direita em Guimarães.

O primeiro dado são as eleições internas do PSD nacional. Com duas candidaturas nacionalmente a carismáticas, serão variadas as opções nos apoios locais. André Coelho Lima sabe-se estará com Rui Rio, Luis Cirilo estará com Santana Lopes.

Se estes dois nomes podem não dizer muito sobre uma eventual divisão, o conjunto de silêncios instalados naqueles que habitualmente os rodeiam deixam que pensar. A verdade é que no núcleo duro do PSD local há elementos com uma forte ligação ao passado recente do PSD, e às direções de Pedro Passos Coelho, que, nacionalmente, tem visto muitos dos seus apoiantes darem a cara por Santana Lopes, que parece ser o candidato da continuidade.

A juntar a este facto, está a ausência de tomada de posição do plenário local do PSD sobre esta matéria e sobre a análise dos resultados eleitorais em Guimarães. A estratégia pode passar por nem analisar, ou por esperar o que o tempo lhes reserva…

Esperar o que o tempo lhes reserva, pode significar um compasso relativo ao terceiro dado de que falava: a situação interna do CDS local. Depois de se ficarem a saber duas suspensões de mandato na Assembleia Municipal, ficamos agora a conhecer a convocatória de eleições internas antecipadas para os órgãos concelhios do Partido Popular.

Das declarações de marcação das eleições e da própria análise aos resultados eleitorais, é possível retirar algum distanciamento quanto ao compromisso com uma eventual futura coligação eleitoral. Até porque um partido minoritário que fique durante muito anos numa coligação, corre o risco de nada valer quando esta acabar por se desvalorizar.

A verdade é que há alinhamentos conhecidos, alguns com muitos anos, entre sensibilidades do PSD e do CDS, intra e interpartidárias, que muito poderão ditar sobre as faces visíveis desta oposição num futuro próximo.

Se não estou preocupado com os rostos, preocupam-me as estratégias e os motivos para eventuais alterações. O meu único desejo é que das reflexões internas destes partidos, não resulte qualquer opção por um regresso a uma forma de estar na política que nada contribuem para a qualidade do debate democrático.

É um desejo. Sereno e aguardar calmamente pelas reflexões que, sendo internas, não me dizem respeito. Espero que o futuro não me faça voltar a achar que nos dizia respeito pensar sobre isto.

 

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.